Rondônia está entre os estados brasileiros com maior carga de trabalho do país. Dados do estudo Panorama Geral do Brasil 2025 mostram que 65% dos trabalhadores rondonienses cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, limite estabelecido pela legislação trabalhista. A média de horas trabalhadas no estado chega a 44,9 horas por semana, acima da média nacional de 43,4 horas.
O levantamento revela que o Brasil mantém uma elevada intensidade de trabalho. Em todo o país, cerca de 56% dos trabalhadores estão submetidos a jornadas consideradas longas, ou seja, acima de 44 horas semanais. O cenário é mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste, onde predominam índices mais elevados de informalidade, trabalho por conta própria e rendimentos médios menores.
Na Região Norte, estados como Pará (71%), Maranhão (71%), Amazonas (70%) e Amapá (69%) lideram o ranking nacional de trabalhadores com jornadas extensas. Rondônia aparece logo em seguida, com 65%, percentual superior ao registrado em boa parte do país.
Em contraste, estados do Sudeste e o Distrito Federal apresentam menor intensidade laboral. A explicação está relacionada à maior formalização do mercado de trabalho e à forte presença dos setores de serviços e administração pública, que costumam ter jornadas mais reguladas.
Os números reforçam a relação entre jornadas prolongadas, informalidade e menor renda média. Para especialistas, o quadro evidencia as desigualdades regionais do mercado de trabalho brasileiro e ajuda a explicar por que o debate sobre a redução da jornada ganhou força nos últimos anos.
A discussão ganhou ainda mais destaque após o avanço, no Congresso Nacional, da proposta que prevê o fim gradual da escala 6x1. O texto em análise propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, medida que pode impactar milhões de trabalhadores em estados onde a carga horária é mais elevada, como Rondônia.