Finalizada à leitura de Esse mundo é meu, as artes de Sérgio Ricardo, para complementar, nada melhor que ouvir a música deste excelente compositor, letrista e músico. O livro apresenta 13 artigos analisando o compositor e suas letras, músicas, o cineasta que roteirizou e realizou curtas (O menino da calça branca) e longas metragens (Esse mundo é meu, A noite do espantalho) e também sua fase como artista plástico deste artista múltiplo e talentoso.
O CD, que faz parte da coleção A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes, traz 16 composições, entre elas, Zelão, Nosso olhar, Pernas, Buquê de Izabel, Folha de papel, além de músicas suas que fizeram parte da trilha sonora de alguns filmes dirigidos por ele e também por Glauber Rocha como Deus e o diabo na terra do sol e Terra em transe).
Neste CD, além de cantar, Sérgio Ricardo conta muitas histórias interessantes inclusive a polêmica que atrapalhou sua carreira, ou seja, quando ele, irritado com as vaias, quebrou seu violão durante sua apresentação num festival de música. Desclassificado, o caso o perseguiu até sua morte. Ele desabafa dizendo que se tornou um exilado em seu próprio país por conta do ocorrido num momento único de revolta pela falta de educação e respeito do público.
Para conhecer ainda mais a obra e a história de Sérgio Ricardo, trago duas dicas. A autobiografia Quem quebrou meu violão, uma referência ao incidente ocorrido no festival de música realizado em 1967. O artista estava apresentando sua canção Beto bom de bola, mas o público não parava de vaiar. Ricardo se irritou e acabou quebrando o violão e jogou os pedaços na plateia.
A coleção Aplauso também publicou uma edição de Sérgio Ricardo, canto vadio, biografia pela jornalista Eliana Pace, lançado em 2010. A obra acompanha desde o seu nascimento em Marília, em 1932, sua passagem pela televisão como ator, a carreira como pianista na noite, a Bossa Nova, a música de protesto e muito mais. Sérgio Ricardo falou aos 88 anos em 2020.