Rossilena foi a primeira atleta rondoniense a conquistar um título mundial no atletismo. Administradora por formação, hoje, atua como auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Essas conquistas já colocam Rossilena Marcolino como uma mulher de sucesso.
Mas ela é muito maior, pois, superou todas as barreiras que a vida impôs, na condição de uma mulher com deficiência física, negra e lésbica. Ela é um exemplo de superação de alguém que não se deixou abater pelas dificuldades diárias.
Rossilena Marcolino participou do Programa Conexão Rondoniaovivo, na última terça-feira(04), apresentado pelo jornalista Ivan Frazão, e, durante o encontro, contou sobre as batalhas travadas todo os dias por mais acessibilidade em nossa cidade.
A mulher questionou a atitude de pais e responsáveis que se recusam vacinar ou são contra essa medida tão eficaz. Ela fez um alerta acerca da importância da vacinação e pede que não se deixem levar por fakenews contra esse método preventivo de doenças.
“Quero sempre lembrar aos pais com crianças até cinco anos de idade, que não deixem de vacinar seus filhos. A minha condição na cadeira de rodas, é fruto de não ter tomado vacina. Aqui em Rondônia, na década de 60 /70, houve um surto de poliomielite, e eu não tomei a vacina. Vejo como um retrocesso e fico indignada quando ouço alguém dizer que não vai levar o filho para vacinar ou só vai se for a vacina tal. É provado, cientificamente, que a vacina vai te impedir de ter um problema, e se tiver vai minorar as consequências. Então, tem que tomar. É um gesto de zelo, carinho e responsabilidade”, declarou.
A entrevistada disse também que qualquer um está sujeito a se tornar uma pessoa com deficiência. Ela afirmou que o trânsito em Porto Velho é um risco e quem tem deixado muitas pessoas em situação de dificuldade para a locomoção.
“A partir do momento que estamos vivos, estamos sujeitos a nós tornarmos uma pessoa com deficiência. A falta de atenção da população no trânsito, ao estar dirigindo um veículo, pode deixar sequelas danosas. Uma pessoa tem que ter responsabilidade consigo e com quem está ao redor dela. Seja um motorista, motociclista, pedestre ou ciclista”, ressaltou.
Porto Velho
Perguntada se acredita que nos dias atuais os direitos das pessoas com deficiência estão sendo mais respeitados, ela contou que nas décadas de 80 e 90 houveram muitas lutas para mudar a visão da sociedade acerca de grupo desse grupo. E, declarou, foram conseguidos grandes avanços.
“Há alguns anos atrás, uma pessoa com deficiência, dependendo da sociedade, era eliminada ou vista como aberração. Ou, era usada como atrativo. Um exemplo, era uma pessoa anã, que era usada em circo como atrativo. Nós lutamos para que houvesse uma valorização. Houve mudanças? Houve! Nós tivemos um risco muito grande, nos últimos quatro anos, de perdermos os avanços. Tiraram o Conselho das Pessoas com Deficiência, isso atrapalhou a nossa luta. Tivemos retrocessos”, enfatizou.
Entre esses retrocessos estão, segundo Rossilena, a perda dos direitos que as pessoas com deficiência tinham no momento da compra de veículos. Ela explicou que foram retiradas a isenção do imposto como ICMS e a compensação dada as pessoas com deficiência pelo fato de o poder público não garantir o transporte para elas. Assim, só restou o desconto do IPI na compra de veículos, o que encarece o preço.
Durante a conversa, Rossilena declarou também o seu amor por Porto Velho. Porém, afirmou que a cidade ainda precisa evoluir muito para se tornar um local acessível para as pessoas com deficiência. Ela observou que a maioria dos espaços públicos ou privados não foram feitos pensando em quem tem dificuldades de locomoção.
“Nasci em Guajará-Mirim e estou aqui há 54 anos. Amo essa cidade, mas não posso deixar de fazer algumas observações. Todos os prefeitos que passaram pela cidade, deixaram legado no que eles entendem ser o melhor para a população, mas, há grandes falhas para pessoas com deficiência. Um exemplo, são os postos de saúde, que não tem interprete de libras. Muito comum também são bares, lojas, restaurantes, escolas e hospitais terem barreiras arquitetônicas para pessoas como eu. Por exemplo, quando você tenta ir a um banheiro ou vestiário não tem acessibilidade, como barras”, lamentou.