A situação do estado de Rondônia penetra assustadoramente naquele terreno até onde ninguém de bom senso gostaria de ver: o da insustentabilidade de seus próprios serviços, isto é, aqueles que lhe cabem por obrigação administrativa mantê-los e que se constituem no seu dever para com a coletividade que paga os impostos para recebê-los.
Repare-se o caso da saúde. Embora a Constituição Federal diga que saúde é direito de todos e dever do estado, pode o cidadão comum berrar a plenos pulmões que tem direito à saúde que ninguém certamente o escutará. Como de fato não escuta. E os exemplos estão aí para quiser vê-los.
Os problemas que envolvem a saúde estadual não são de hoje. Pelo contrário, vem de longe. E o pior é que ninguém faz absolutamente nada para resolvê-los. São apenas discursos e promessas messiânicas, que vão do nada a lugar nenhum.
Prova disso é que o jornal Alto Madeira de 18 de outubro de 1994, portanto, há 17 anos, já chamava a atenção das autoridades para a crise no setor da saúde, com a seguinte manchete: “médicos criticam omissão do estado”.
Já naquela época, o presidente do sindicato dos médicos, Pedro Luis Lankoski, criticava a precariedade dos serviços prestados à clientela, os baixos salários e as péssimas condições de trabalho dos profissionais.
Nesse período, é de se perguntar quantas vezes representantes do Ministério Público de Rondônia estiveram, por exemplo, no João Paulo II e ameaçaram punir os gestores da coisa pública?
Vê-se, pois, que o problema da saúde, aqui e alhures, não é a escassez de recursos, como reclamam nossas autoridades, mas, sim, a falta de competência, de seriedade, de dignidade, de planejamento, de responsabilidade no trato dos dinheiros públicos, e, principalmente, de respeito para com o ser humano.