Na tarde de última quarta-feira (23) a prefeitura publicou através de sua assessoria de imprensa que estaria realizando uma grande obra social ao oferecer assentamentos às famílias cadastradas que deveriam ocupar o “Projeto de Assentamento Organizado / Lotes Urbanos”, lançados na presença da candidata petista a presidência da república, Dilma Roussef, na ocasião de sua vinda no último mês de Maio. Na presença de "Dilma do Lula", Roberto Sobrinho anunciou um soberbo programa de assentamentos de famílias carentes entre os estados do Amazonas, Rondônia e Acre.
Porém, o que não ficou claro durante a grande cerimônia receptiva, durante ao discurso do prefeito que falava sobre o programa de assentamento de Porto Velho, foi que para que as 380 famílias a serem assentadas divulgadas na matéria da prefeitura pudessem ser assentadas, o prefeito estaria despejando outras centenas de famílias de sua residência sem o menor critério de reconhecimento quanto aos direitos adquiridos e principalmente em desrespeito a documentação apresentada onde algumas famílias comprovam serem donas de seus terrenos a exatos vinte anos de ocupação.
Sendo assim, como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, o resultado dessa enorme desumanidade foi à revolta e a indignação de pessoas que foram abruptamente acordadas de madrugada com o barulho de máquinas e caminhões a invadirem os seus terrenos acompanhados da PM, numa verdadeira demonstração de abuso de autoridade do município.
Para amenizar a situação, a prefeitura enviou diversos funcionários e membros da Defesa Civil para tentar acalmar os ânimos da população que continua em
estado de desespero, sendo que há vários anos vem pagando taxas e tributos oficiais cobrados por esta mesma administração que está a expulsa-los de suas casas, entre esses representantes da prefeitura municipal estava o secretário da Semob (Secretaria Municipal de Obras), Raimundo Fernandes.
Em alguns casos, alguns desses terrenos foram negociados e vendidos por funcionários da própria prefeitura à famílias e entidades que se sentem lesadas pela omissão e covardia da prefeitura em reconhecer a posse dessas famílias.
Há que se ter um profundo acompanhamento do Ministério Público quanto esses assentamentos que na realidade mais parecem ter cunho eleitoreiro, pois nada mais são do que o cumprimento de um programa de governo em pleno período eleitoral.
Para algumas famílias a situação é tão desesperadora que foram registrados até casos de desmaios de mulheres e viúves que não tem qualquer condições de se desfazerem de suas casas, pois além de morarem há anos na região sobrevivem economicamente do comercio informal praticado no próprio bairro e da ajuda de amigos e parentes que moram na mesma vizinhança.
O que a dourada matéria da prefeitura esqueceu de divulgar foi que, apesar de ter havido uma reunião surpresa com o prefeito na noite anterior junto aos moradores do bairro, em nenhum momento houve a concordância ou aprovação dos mesmos para que prefeitura viesse a executar o serviço, sendo intensamente debatido por algumas horas a recusa das famílias em se retirar dos terrenos, o que resultou na frustração dos planos da comitiva executiva do prefeito que bateu em retirada dando a impressão que nada seria feito por enquanto, porém, em meio a madrugada os moradores foram arrancados de suas casas pelas equipes de apoio da prefeitura, que mais parecia uma Tropa de Choque, num completo clima de terrorismo e ditadura militar. (Danny Bueno)