ARTIGO - O preço do dólar não é o problema: Por José Arthur Assunção

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Foto: Divulgação

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O grande problema do câmbio flutuante é que o danado flutua. À primeira vista, essa declaração do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, feita há uns dois anos, parece meio óbvia demais. Mas não é! O Brasil conviveu anos e anos com o câmbio controlado, seja pela mão-de-ferro do governo, como faz a China até hoje, seja num sistema de bandas e minibandas. Mas vamos nos concentrar no problema atual do câmbio. Eu disse problema? É o que parece, mas realmente não tem problema algum. O valor da moeda americana flutua de acordo com a saúde da economia dos Estados Unidos e de acordo com o grau de credibilidade do país em questão. Vale lembrar que a desvalorização do dólar não está acontecendo só aqui no Brasil. Mas assistimos ao Banco Central fazendo de tudo nas últimas semanas para não deixar o câmbio cair abaixo do patamar psicológico de R$ 2. Só que não teve jeito. Caiu. Pode até voltar a subir acima dos R$ 2, mas depois cair novamente e assim por diante. Lembremos, mais uma vez: o câmbio flutuante flutua mesmo. Somos muito inventivos. O BC tentou dar o famoso jeitinho brasileiro usando uma estratégia que podemos definir como “câmbio flutuante administrado”. Mas gastaram-se muitos reais para isso. É claro que elevamos nossas reservas e isso é bom. Entretanto, é discutível carregar reservas a um custo tão alto. Outra conversa para depois. Pois bem, além de defender uma hipotética banda de R$ 2 - ainda bem que o BC já desistiu disso -, o governo fez das suas. Para dar uma ajudinha aos setores mais prejudicados com a queda livre do dólar, aumentou alíquotas de importação, cogitou liberar linhas de crédito especiais e também deverá reduzir impostos para as empresas que perderam competitividade. Mas essa queda de receita, é claro, vai cair no colo de toda a sociedade. O governo não vai perder receita. Precisa fazer superávit a qualquer custo. Receita de bolo não existe. Mas já seria um grande avanço se o BC desistisse de onerar as importações e, pelo contrário, as desonerasse cada vez mais para abrir fortemente o comércio exterior do país. Desse modo, aumentariam as importações, o que sinalizaria para o mercado que a tendência do dólar não é continuar caindo. Nesse mundo globalizado, só vão permanecer vivas as empresas que tiverem gestão moderna, de excelência. Dólar caro ou barato nunca pode ser problema. É apenas conjuntura de momento. Espero que o BC não tente, em vão, segurar novamente a queda do dólar e que o Planalto deixe seus preconceitos de lado e incentive as importações.
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