A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial encerra uma sequência de 24 anos consecutivos de mandatos eletivos do político no Poder Legislativo. O atual senador pelo Rio de Janeiro deixará o Congresso Nacional no dia 31 de janeiro de 2027, momento em que perde o foro por prerrogativa de função decorrente do mandato parlamentar. O político iniciou a carreira pública em 2003 e cumpriu quatro mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro antes de se eleger para o Senado Federal em 2018. Ele perdeu a eleição para Lula (PT) neste domingo (25).
A saída do cargo eletivo não transfere automaticamente todos os procedimentos investigativos para a primeira instância da Justiça comum. Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) alterou sua jurisprudência e estabeleceu que processos sobre crimes cometidos durante o exercício do mandato e em razão da função parlamentar permanecem sob a jurisdição da Corte Suprema. Com isso, os ministros relatores avaliarão a relação dos fatos investigados com o exercício do cargo para definir onde cada inquérito tramitará.
Um dos inquéritos no STF examina o financiamento do filme Dark Horse, uma produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sob a relatoria do ministro André Mendonça, a Polícia Federal investiga negociações entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master. Os investigadores apuram se ocorreu desvio de finalidade na aplicação de cerca de R$ 70 milhões liberados para a produção cinematográfica.
Outra investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao advogado Willer Tomaz e a empresas do setor de apostas. A Polícia Federal identificou o nome do senador como "usuário master" em uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings. Os relatórios policiais registram ainda encontros, viagens internacionais e movimentações financeiras de grande porte entre os citados.
O senador responde também ao Inquérito 5.045 por suposta calúnia contra o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. A Polícia Federal concluiu o relatório do caso em junho após publicações do parlamentar na rede social X (antigo Twitter). No histórico do político, consta a denúncia do esquema de "rachadinha" na Assembleia do Rio de Janeiro, encerrada pela Justiça em 2022 depois de os tribunais superiores anularem as provas apresentadas pelo Ministério Público.
Flávio Bolsonaro nega a prática de ilegalidades nas investigações em andamento na Suprema Corte. O parlamentar afirma que buscou patrocínio privado para o filme sem oferecer contrapartidas públicas. Sobre a relação com o advogado Willer Tomaz, o senador declara que mantém apenas vínculo de amizade pessoal e nega qualquer tipo de gestão operacional em contas bancárias de empresas.