Já está disponível no catálogo do serviço de streaming da Prime esse terror lançado recentemente nos cinemas e que teve uma boa repercussão entre os fãs do gênero. “Hokum: O pesadelo da bruxa”, terceiro filme do diretor irlandês Damian McCarthy, tem a proposta de trazer uma história envolvida em um horror gótico, que deixa sugerir uma base bem delineada no chamado terror folk (quando utiliza elementos de lendas folclóricas, no caso da Irlanda).
É um filme que tem excelentes momentos de sustos, mas trabalha bem o roteiro por trazer uma história original que dimensiona alguns clichês do local assombrado, aqui um hotel antigo, com um personagem antipático e autossuficiente, mas que justifica sua personalidade arredia por um trauma de infância que vamos descobrir aos poucos.
Ohm Bauman (interpretado pelo excelente ator Adam Scott, astro da série “Ruptura”, da Apple) é um escritor de uma série de livros de terror que, após uma experiência estranha, resolve viajar para uma cidade na zona rural da Irlanda, onde há um tradicional e velho hotel, para jogar as cinzas de seus pais em uma velha árvore localizada próxima ao prédio. O hotel foi onde eles, há 40 anos, passaram a lua de mel, quando se casaram.
Ele acaba conhecendo uma funcionária do hotel, Fiona (Florence Ordesh), com quem vai descobrir alguns segredos enigmáticos do local, como o fato de o quarto que fica no último andar, conhecido como “Suíte Lua de Mel”, não ter hóspedes e estar lacrado.
Ela conta que uma bruxa que vivia naquela região e trouxe uma espécie de maldição foi presa há muito tempo nesse quarto e que, desde então, ele foi selado e ninguém tem acesso. Mas ela conta que já teve curiosidade de ir ao recinto para saber se a bruxa mora lá mesmo ou se é uma lenda local, levada muito a sério pelo dono do hotel.
Ohm demonstra, mesmo que tenha se aproximado de Fiona, que é uma pessoa resoluta, fechada numa espécie de arrogância que ele não esconde. Isso se torna uma camada de proteção do íntimo de sua pessoa, seja no tratamento, seja por transparecer algo que permita ser egoísta e mais isolado.
No hotel, ele vai encontrar um velho ermitão comedor de cogumelos, Jerry (David Wilmot), que tem grandes segredos sobre o que ocorre naquele lugar.
Não se pode dar muitos spoilers sobre o que vem a seguir após conhecer esses personagens, pois o diretor e roteirista McCarthy já nos entrega logo de cara uma cena inesperada de uma tentativa de suicídio. Depois, dá um salto temporal de dias para que possamos ter acesso ao escritor retornando ao hotel e descobrir que Fiona está desaparecida, depois de ter ido à suíte assombrada que aprisiona a velha bruxa.
Diante de algumas situações macabras e místicas, Ohm vai tentar descobrir o que aconteceu com Fiona e qual é o segredo do quarto. Preso, ele descobre passagens secretas, objetos assombrados e fica retido em um ambiente desolador, onde uma entidade realmente se faz presente.
Nesse espaço claustrofóbico, ele vai lidar com um possível crime, um segredo e enfrentar um trauma que o assombra desde criança.
O diretor cria sequências climáticas tensas e, por alguns momentos, vai exigir paciência, pois ele cria o suspense em cima dos elementos climáticos do espaço e prende a atenção por detalhes da decoração, do som e, principalmente, da iluminação.
A escuridão, as chamas das velas e até a luz de um isqueiro somam um grito de suspense que torna o susto inevitável.
A fotografia (excelente trabalho do diretor de fotografia, Colm Hogan) é densa e intensa – o prólogo e o final do filme nos remetem à paisagem árida e desértica do livro que ele está tentando finalizar. Por isso, há um capricho técnico excepcional. No entanto, nos momentos mais tensos, o clima vem da penumbra, da luz baixa e da pouca claridade.
Eu recomendo, muito, que se assista a “Hokum: O pesadelo da bruxa” sozinho na sala, com as luzes apagadas e aquele café feito na hora. Boa diversão para quem quer relaxar com um esmerado filme de entretenimento, tecnicamente muito bem feito.