POSSESSÃO DE DEBORAH LOGAN: Terror mistura mistério e filmagens quase reais – Por Marcos Souza

Filme foi produzido pelo diretor principal da saga dos X Men nos cinemas

POSSESSÃO DE DEBORAH LOGAN: Terror mistura mistério e filmagens quase reais – Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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Quem acompanha minhas críticas aqui no Rondoniaovivo sabe que gosto muito de filmes de terror, do estilo Found Footage - onde as câmeras são gravadas em primeira pessoa ou recurso do uso de câmeras de segurança, como se os protagonistas filmassem toda a ação, exemplos: "A bruxa de Blair" (1999) ou "Atividade Paranormal" (2009).
 
Há algumas semanas escrevi sobre o filme espanhol “Rec” (2007/ Paco Plaza e Jaume Balagueró) com enorme potencial de ser o melhor no estilo e detalhei os motivos. Então preciso escrever sobre esse outro grande filme. 
 
"Possessão de Deborah Logan" ( The Talkin of The Deborah Logan/2014), escrito e dirigido por Adam Robitel, foi produzido pelo diretor principal da saga dos X Men nos cinemas, Bryan Singer, e que também dirigiu o ótimo "Bohemian Rapsody" (2018), cinebiografia do vocalista do Queen, Freddy Mercury.
 
Vou dizer logo que é um filme com história, suspense, mistério e, o melhor de tudo, um bom elenco, com destaque a extraordinária atriz Jill Larson - que faz o papel título -, uma idosa com o mal de Alzheimer e que passa a ter um comportamento estranho a medida em que a doença progride.
 
A linguagem direta e com câmera subjetiva ocorre porque a estudante Mia (a linda atriz japonesa Michelle Ang) para fazer a sua tese de doutorado sobre o mal de Alzheimer resolve fazer o registro diário em vídeo de Deborah, que tem a doença, e em comum acordo com a filha dela, Sara (a ótima Anne Ramsay) , que só aceita porque precisa do dinheiro que Mia prometeu e ajuda de custo do tratamento da mãe através da faculdade onde estuda.
 
Feito o acordo Mia vai passar alguns dias na casa de Deborah e Sara, que moram em meio da floresta, e leva dois técnicos de filmagem com ela, que instalam câmeras pela casa para acompanhar o passo a passo do comportamento da idosa e a progressão da doença. Um deles fica com uma câmera de mão onde grava as entrevistas e os afazeres diários
 
Vale ressaltar que Deborah tem um vizinho de longa data e que sempre lhe ajuda, o velho Harris (Ryan Cutrona), e guarda um segredo com ela.
 
A partir do momento em que se inicia as filmagens, com todos alojados na casa,  Mia vai fazendo um diário onde relata a evolução da doença de Deborah com o tempo. Sempre precisa e com dados científicos. Mas ao mesmo em que  o tempo avança, a idosa vai adquirindo um comportamento estranho e com ações sem explicação lógica, intrigando um dos cinegrafistas que fica receoso.
 
 
Entre os hábitos estranhos que vão surgindo consiste na idosa acordar de madrugada e sonâmbula tem uma obsessão por cavar no quintal próximo a floresta até sair sangue de suas mãos. Ter acessos de fúria contra todos, incluindo a filha.
 
Sumir em algum cômodo escondido da casa. Mas é como se ela autoflagelasse e estivesse obcecada por algo anormal e incompreensível. Até surgir pistas capturadas pelas imagens registradas de madrugada e que a estudante e seus operadores começam a assistir para tentar compreender o comportamento anormal.
 
Em uma delas é possível vê-la flutuar, em outro sumir de um cômodo para o outro, sem explicação lógica. 
 
Vale ressaltar que é um filme que vai apresentando aos poucos as motivações e como um quebra cabeça vai deixando peças soltas para nós, espectadores, construir o desenrolar da história. Por isso o ritmo é lento, pausado, mas com um mistério pulsando a cada virada da evolução do quadro clínico de Deborah.
 
Quando o corpo dela passa a apresentar uma mudança degenerativa estranha, como uma escamação infecciosa nas costas, os cabelos caindo ou regurgita minhocas e terra preta após um jantar, parte do mistério vem a tona quando em uma de suas fugas noturnas, Deborah é encontrada no sótão da casa, nua, sentada em frente a um velho controle de telefonia e com uma voz gutural fala algumas frases em francês para depois quase morrer eletrocutada. 
 
No outro dia um dos cinegrafistas consegue decupar através do registro de vídeo o áudio das frases em francês que a idosa cita e surge algo chocante, que causa espanto a filha e ela então vai buscar no diário da sua mãe o significado desse mistério, mas consegue somente uma data e o nome de um médico pediatra francês que era vizinho de sua casa.
 
Mia, curiosa cita o nome e descobre se tratar de um antigo serial killer que matou quatro crianças em rituais misteriosos. Em sua busca na internet descobre uma série de reportagem sobre esse médico e uma entrevista com um antropólogo que relata minuciosamente como as crianças foram mortas, os sinais encontrados nos corpos e o que significava o fato do assassino ter praticado canibalismo. 
 
Para piorar, os assassinatos ocorreram aos arredores da casa de Deborah, e nos rituais apurados haviam citações a cobras e demônios.
 
O que já era misterioso se torna assustador, pois uma noite alguém vai tentar colocar um crucifixo na janela de um dos quartos onde a velha senhora gosta de ir de madrugada e descobre algumas telas que ela pinta e nos desenhos, de forma progressiva de uma paisagem da floresta surge um vulto negro, e a cada quadro mostrado essa figura vai se aproximando até chegar próximo a janela. 
 
Quando a doença se torna pior e as atitudes de Deborah fogem ao controle de vez ela é internada em um hospital. Um dos cinegrafistas percebe que existe algo sobrenatural e terrível rondando a todos, sem titubear larga tudo, deixando Mia só com o outro cinegrafista, que vai lhe ajudar a tentar concluir o seu diário em vídeo.
 
 
Porém, uma vez no hospital tudo piora ainda mais, principalmente quando a anciã comete um delito surreal.
 
A partir daí na meia hora final todas as pistas e suspeitas lançadas no decorrer do filme vão se encaixando para uma reviravolta tenebrosa e grotesca, com um uso espantoso das câmeras e o clima de suspense.
 
Vai culminar com uma perseguição na floresta e num agrupamento de cavernas de cair o queixo. O filme é bem feito, criando atmosfera para alguns sustos e revelações.
 
Gostei do muito do filme e foge do trivial que geralmente filmes assim de Found Footage propõem, com ambientes de claustrofobia como hospitais abandonados, sanatórios ou casas assombradas. Aqui inicia numa casa comum e o horror vem, às vezes,  de situações triviais com pessoas acima de qualquer suspeita e motivações, de sequências e consequências. Por isso é bom.
 
E é um trabalho magnífico da atriz veterana Jill Larson, que é magrinha, e com a maquiagem se transforma e dá um banho de interpretação, faz parecer muito real e mais da metade do filme se deve a sua performance.
 
O filme tá disponível na íntegra no Youtube, dublado, ou você pode alugar legendado no próprio site. 
 
E por fim assista com a luz apagada e acompanhado. Para o final de semana é uma ótima pedida.
Direito ao esquecimento

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