Fim de semana e mais uma vez seguem as dicas para quem curte assitir um filme de terror ou uma série tão divertida que pode ser maratonada de forma rápida. Aproveito para trazer também uma dica de leitura para quem curte História em Quadrinhos, principalmente com um tema bem peculiar.
Embarque nessas dicas e uma ótima diversão.
BLACK SUMMER - Assisti uma série da Netflix sobre o pós-apocalipse na terra com uma contaminação que infecta pessoas, transformando-as em parasitas (pra não escrever zumbis, mas vou acabar escrevendo). "Black Summer" se passa no mesmo universo da série "Z Nation", do canal Sfi Sci.
É muito divertida e tecnicamente bem feita. Gostei do formato dos episó-dios, distribuindo os personagens principais em cantos de um gigantesco condomínio residencial abandonado, procurando abrigo, enfrentando para-sitas, todos querendo se encaminhar para o estádio da cidade, onde o exérci-to e a força nacional mantém milhares de pessoas protegidas.
Para dar uma ideia de uma certa originalidade que engressa pelo humor, apesar do drama do horror, um epísódio em especial é fantástico.
O quarto episódio foca na saga de um gordinho de cabelos enrolados no meio desse caos. Num apocalipse zumbi as regras para sobreviver são bási-cas, confira as três principais antes de cometer qualquer tolice:
- Se arme com armas de fogo, facas, terçado, porrete, enxada, machado, cu-telo e se for tudo isso melhor ainda;
- Procure uma fonte de comida e água - supermercado abandonado, residên-cias, lanchonetes e bares;
- Encontre um local estratégico no local onde se encontra, pois nesse local você poderá estabelecer um esconderijo para dormir e guardar mantimentos.
Feito isso você pode durar algum tempo, ainda mais quando os zumbis cor-rem muito rápido e nunca cansam até pegar a vítima. Esqueçam aquele mor-to vivo lento e bobão da série The Walking Dead, aqui estão mais para aqueles do filme "O Extermínio", de Danny Boyle.
Voltando ao gordinho, ele escapa de uma escola estranha onde encontra um parasita que vai persegui-lo, quase morre depois de tentar se esconder em um quintal, invade casas abandonadas e vai escapando no cheiro da criatura que o persegue.
Quando finalmente se livra, encontra um carro com chaves, aí descobre que tá sem combustível. Tenta amizade com um cachorro, que o ignora. Depois encontra um supermercado ao léu, com todos os produtos e alimentos a dis-posição. Não esqueçamos que a cidade está abandonada, largaram tudo do jeito que se encontrava.
Chega a encher um carrinho de produtos alimentícios, mas quando vai pro-curar um abridor de lata descobre que o zumbi que o perseguia entrou no estabelecimento. O cara ao invés de se armar com porrete ou outro objeto, não, resolve sair de fininho - largando tudo pra trás -, mas o parasita o des-cobre e inicia uma nova perseguição nas ruas abandonadas.
Pense num homem frouxo e que corre desesperado. Chega a ser patético e irritante suas falhas diante do inusitado. Fica horas em cima de um ônibus quando o zumbi o encurrala.
Aí quando tenta descer do ônibus surge a criatura e ele desesperado se joga num trailer velho e esculhambado. Se lasca todo e volta a correr desespera-do até entrar na garagem de um batalhão do Corpo de Bombeiros, também abandonada.
Uma vez lá dentro, suando feito um suíno na sauna, desesperado ele encon-tra um machado poderoso e se prepara para enfrentar o seu algoz, que entra na garagem. Num suspense de arrepiar os cabelos.
O gordinho prepara para dar uma machadada no zumbi, se espreitando entre os carros, num silêncio ninja e quando o parasita fica parado na sua frente, pronto para devora-lo, com todo cuidado e rapidez ele ergue o machado ... Adivinha!?!
No exato momento a ponta do machado engata numa corda e cai, deixando o rapaz a mercê de ser mordido. Mas eis que ... Assista!
Os episódios são curtos e tem momentos de pura tensão, com alguns perso-nagens chaves que depois vão integrar um grupo que tem como destino o estádio da cidade, onde podem ficar seguros. O problema é chegar lá sem serem mortos.
Bela série, sem pretensões além do que divertir ou qualquer tipo de embro-mação - como acabou virando a clássica “The Walking Dead”, que começou bem e foi descendo ladeira abaixo.
“Black Summer” já tem uma segunda temporada, também disponível na Netflix, tão tensa quando a primeira.
POSSESSÃO DE DEBORAH LOGAN - Filme de terror no estilo Found Footage - onde as câmeras são gravadas em primeira pessoa ou recurso do uso de câmeras de segurança, como se os protagonistas filmassem toda a ação, exemplos: "A bruxa de Blair" ou "Atividade Paranormal".
"Possessão de Deborah Logan" ( The Talkin of The Deborah Logan/2014), escrito e dirigido por Adam Robitel, foi produzido pelo diretor principal da saga dos X Men nos cinemas, Bryan Singer, e que também dirigiu o ótimo "Bohemian Rapsody" (2018), cinebiografia do vocalista do Queen, Freddy Mercury.
Vou dizer logo que é um filme com história, suspense, mistério e, o melhor de tudo, um bom elenco, com destaque a extraordinária atriz Jill Larson - que faz o papel título -, uma idosa com o mal de Alzheimer e que passa a ter um comportamento estranho a medida em que a doença progride.
A linguagem direta e com câmera subjetiva ocorre porque a estudante Mia (a linda atriz japonesa Michelle Ang) para fazer a sua tese de doutorado so-bre o mal de Alzheimer resolve fazer o registro diário em vídeo de Deborah, que tem a doença, e em comum acordo com a filha dela, Sara (a ótima Anne Ramsay) , que só aceita porque precisa do dinheiro que Mia prometeu e ajuda de custo do tratamento da mãe através da faculdade onde estuda.
Feito o acordo Mia vai passar alguns dias na casa de Deborah e Sara, que moram em meio da floresta, e leva dois técnicos de filmagem com ela, que instalam câmeras pela casa para acompanhar o passo a passo do comporta-mento da idosa e a progressão da doença. Um deles fica com uma câmera de mão onde grava as entrevistas e os afazeres diários.
Vale ressaltar que Deborah tem um vizinho de longa data e que sempre lhe ajuda, o velho Harris (Ryan Cutrona), e guarda um segredo com ela.
A partir do momento em que se inicia as filmagens, com todos alojados na casa, Mia vai fazendo um diário onde relata a evolução da doença de Debo-rah com o tempo. Sempre precisa e com dados científicos. Mas ao mesmo em que o tempo avança, a idosa vai adquirindo um comportamento estra-nho e com ações sem explicação lógica, intrigando um dos cinegrafistas que fica receoso.
Entre os hábitos estranhos que vão surgindo consiste na idosa acordar de madrugada e sonâmbula tem uma obsessão por cavar no quintal próximo a floresta até sair sangue de suas mãos. Ter acessos de fúria contra todos, in-cluindo a filha.
Sumir em algum cômodo escondido da casa. Mas é como se ela autoflage-lasse e estivesse obcecada por algo anormal e incompreensível. Até surgir pistas capturadas pelas imagens registradas de madrugada e que a estudante e seus operadores começam a assistir para tentar compreender o comporta-mento anormal.
Em uma delas é possível vê-la flutuar, em outro sumir de um cômodo para o outro, sem explicação lógica.
Vale ressaltar que é um filme que vai apresentando aos poucos as motiva-ções e como um quebra cabeça vai deixando peças soltas para nós, especta-dores, construir o desenrolar da história. Por isso o ritmo é lento, pausado, mas com um mistério pulsando a cada virada da evolução do quadro clínico de Deborah.
Quando a doença se torna pior e as atitudes de Deborah fogem ao controle de vez ela é internada em um hospital. Um dos cinegrafistas percebe que existe algo sobrenatural e terrível rondando a todos, sem titubear larga tudo, deixando Mia só com o outro cinegrafista, que vai lhe ajudar a tentar con-cluir o seu diário em vídeo.
No terço final do filme os mistério vai apresentando soluções e reviravoltas que envolvem além do sobrenatural e até um demônio.
E é um trabalho magnífico da atriz veterana Jill Larson, que é magrinha, e com a maquiagem se transforma e dá um banho de interpretação, faz parecer muito real e mais da metade do filme se deve a sua performance.
O filme tá disponível na íntegra no Youtube, dublado, ou você pode alugar legendado no próprio site.
E por fim assista com a luz apagada e acompanhado.
MEU AMIGO DAHMER - Uma dica de leitura de uma história em qua-drinho especial que é uma obra prima de narrativa, baseada em fatos reais sobre a juventude de um dos mais perversos serial killers da história, Jeffrey Dahmer - ele matava as vítimas, jovens, praticava necrofilia e comia partes dos corpos.
A história não relata seu período criminoso, mas a juventude na escola e como era a sua relação com a família e principalmente na escola da infância até a adolescência, já deixando pistas de como a sua mente perturbada o transformaria. E o relato do autor, o quadrinista Derf Backderf, que viveu e estudou o período narrado na história com Dahmer.
É uma graphic novel (HQ) fascinante, não só pela linguagem direta e obje-tiva, sem delírios e teorias psicológicas, mas por diálogos bem escritos e transmite o comportamento da juventude estadunidense nos anos 70 com um desnudamento perfeito.
Os desenhos cartunescos são maravilhosos, tiram um pouco do peso som-brio da narrativa, mesmo que em alguns momentos são inevitáveis as som-bras e ângulos inusitados sob a perspectiva do personagem Dahmer em sua solidão familiar.
Ao final do livro o autor disponibiliza fotos da época da escola do psicopa-ta, além de uma série de fontes de referência que foram além da sua memó-ria. Eu mesmo depois de ler fui atrás dos vídeos referentes e tem um com uma entrevista longa com Dahmer, já preso, ao lado de seu pai, que foi lhe dar apoio, onde ele narra de maneira fria como era a sua relação com a famí-lia, com as vítimas, motivações e consequências.
Verifico com isso o peso dessa história em quadrinhos e como o autor se viu obrigado a contar essa história. Pois é como se o seu vizinho com quem vo-cê conviveu e estudou na escola durante infância e juventude, quando adul-to matou e barbarizou 19 jovens, transformando a casa em que viveu num cemitério.
Essa publicação da editora Darkside é a primeira HQ da coleção Crime Sce-ne. Vale muito a leitura. Recomendo demais.