Enquanto a bola rola e milhões de olhos acompanham cada lance, há outro jogo acontecendo, um que não aparece no placar. Nele, as mulheres entram em campo todos os dias para disputar algo muito mais básico: o direito de existir com respeito, segurança e igualdade.
A Copa do Mundo nos lembra que nenhum time vence sozinho. Há quem faça o gol, quem defenda, quem organize a jogada e quem incentive da arquibancada. A vitória é sempre coletiva.
Com os direitos das mulheres não deveria ser diferente.
Ainda há quem trate essa pauta como um campeonato exclusivo das mulheres. Não é. Assim como a violência contra a mulher não é um problema feminino, a igualdade também não é uma responsabilidade apenas delas. É um compromisso da sociedade.
Os homens têm um papel indispensável nesse time. São eles que podem ensinar aos filhos que respeito nunca diminuiu a masculinidade. Que podem interromper uma piada que humilha uma mulher antes que ela se transforme em uma cultura de violência. Que podem dividir responsabilidades dentro de casa, reconhecer competências no ambiente de trabalho e ocupar espaços de poder promovendo oportunidades, não privilégios.
A verdadeira força masculina não está em disputar espaço com as mulheres, mas em construir um campo onde ninguém precise lutar apenas para ter o direito de jogar.
Nenhuma copa seria possível se apenas metade do elenco pudesse entrar em campo. Nenhum país alcançará seu melhor desempenho desperdiçando o talento, a inteligência e a liderança de metade da sua população.
Que os gritos de torcida ecoem também fora dos estádios. Que a celebração do esporte nos lembre que respeito, justiça e igualdade são vitórias que pertencem a todos.
Porque a luta pelos direitos das mulheres não é uma final entre homens e mulheres.
É a partida mais importante que uma sociedade pode decidir vencer, jogando no mesmo time.