O Casal Raupp e a Trama do Tempo em Rondônia

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Ao deparar-me hoje com uma mensagem de Valdir e Marinha Raupp, fui tomado por uma inevitável melancolia. A tristeza que senti não é de derrota, mas de reconhecimento: é o peso da ausência de quem, por três décadas, foi o alicerce da política rondoniense.

 

Conheci Valdir Raupp em 1990. Naquela época, ele vislumbrava a Câmara Federal, mas as circunstâncias o empurraram para a disputa ao Governo do Estado. A história de Rondônia poderia ter sido outra se não fosse a tragédia daquele ano: o assassinato de Olavo Pires. Olavo era uma força da natureza; tão amado pelo povo quanto temido por seus desafetos. Raupp, com seu estilo afável e conciliador, talvez não tivesse chances contra a truculência popular de Olavo no segundo turno, mas o destino é um roteirista imprevisível. Raupp não foi eleito governador ali, mas ali plantava a semente de sua liderança.

 

Desde aqueles primeiros passos, a professora Marinha Célia Raupp já se mostrava o braço forte da caminhada. Lembro-me dela em 1990, firme nos bastidores dos debates, dando sustentação ao marido. O tempo passou e, em 1994, o destino finalmente se cumpriu: Raupp foi eleito governador e Marinha, deputada federal. Naquela mesma eleição, eu conquistava meu mandato como deputado estadual.

 

Eram tempos de "vacas magras". Raupp herdou um estado com três folhas de pagamento atrasadas e um aumento salarial concedido sem qualquer lastro — na era pré-Lei de Responsabilidade Fiscal, a gestão pública era um equilibrismo diário. Acompanhei sua luta de perto. Mesmo nos dias mais cinzentos, Raupp mantinha o espírito leve; encontrava sempre uma brecha para contar uma boa história ou falar com orgulho dos filhos, ainda pequenos.

 

Em 2002, os caminhos se cruzaram novamente em Brasília. Raupp chegava ao Senado para fazer par com a deputada Marinha, veterana desde 1995. Dali em diante, tornaram-se uma potência. Onde houvesse uma pauta de interesse rondoniense, o "Casal Raupp" lá estava.

 

Guardo na memória o ano de 2005, quando buscávamos o enquadramento dos professores do ex-Território Federal. Precisávamos de uma audiência urgente no Ministério do Planejamento para garantir a gratificação da GEAD. Em apenas trinta minutos, o Senador Raupp não apenas agendou o horário, como fez questão de nos acompanhar. Saímos de lá com a missão cumprida e os colegas devidamente incluídos em folha.

 

Lembro-me também de encontrar Marinha em meio à lama da BR-429. Ela estava lá, junto à população, mobilizando esforços para asfaltar aquela estrada barrenta que ligava Alvorada D'Oeste às barrancas do Rio Guaporé. Se hoje o progresso corre sobre o asfalto naquela região, devemos muito à teimosia dessa "deputada guerreira".

 

Em 2014, tive a honra de ser candidato a vice-governador na chapa de Confúcio Moura e Acir Gurgacz. No segundo turno, o casal Raupp foi incansável. Quando assumi o governo, tornaram-se meus aliados de primeira hora. Juntos, fomos ao Rio de Janeiro buscar recursos no BNDES para pavimentar a "Rodovia do Boi". É uma mágoa política saber que os 180 km entre Corumbiara e Parecis foram perdidos porque meu sucessor dispensou o recurso em 2019, mas o esforço do casal para garantir aquele investimento permanece registrado na memória.

 

O momento mais crítico, contudo, foi quando recebemos a notícia de que 700 policiais militares seriam devolvidos à folha do Estado, o que causaria um colapso financeiro. Raupp e Acir abriram as portas do Palácio do Planalto, onde a ministra Cármen Lúcia exercia a presidência interina. Naquela audiência, diante dos ministros Toffoli e Gilmar Mendes, "fizemos uma choradeira" necessária. Saímos com a solução: os PMs permaneceram na folha da União, onde estão até hoje.

 

Em 2018, o cenário político mudou e eles não obtiveram a reeleição. Rondônia perdeu os defensores que, do raiar do dia à madrugada, estavam sempre a postos.

 

Rascunho estas linhas como um gesto de gratidão. Se eu fosse narrar tudo o que vivi ao lado de Valdir e Marinha, um livro não bastaria. Escrevo como amigo e como homem público: o pouco que realizei teve as mãos e o apoio deles. Que o futuro seja generoso com o casal, assim como eles foram com o povo de Rondônia.

 

Daniel Pereira, ex-deputado estadual (1995/2003), vice-governador (2015/2018) e governador (2018).

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