PERÍODO ELEITORAL: Sem quórum e em recesso, vereadores de PVH diminuem dias de trabalho
Enquanto presidente da casa tem que ‘catar’ vereadores nos corredores, discussões de urgência ficam empacadas por causa da morosidade dos representantes
A Câmara Municipal de Porto Velho oficializou a diminuição do seu ritmo de trabalho para o segundo semestre de 2026. Com a aprovação do Projeto de Resolução nº 873/2026, de autoria da Mesa Diretora, as sessões plenárias ordinárias serão reduzidas pela metade, passando de duas para apenas uma por semana durante a campanha eleitoral.
A justificativa oficial do projeto admite abertamente que a prioridade dos vereadores será a política partidária nas ruas. O documento argumenta que, "durante o processo eleitoral, parcela significativa dos parlamentares encontra-se diretamente envolvida na disputa eleitoral", o que naturalmente repercute na dinâmica dos trabalhos, na formação de quórum e na produtividade legislativa.
Com a mudança, os parlamentares se reunirão no plenário apenas às segundas-feiras, às 9h, no período entre agosto e 25 de outubro (após o segundo turno).
A redução legalizada da carga horária parlamentar agrava um problema que já é crônico e visível na Casa de Leis: a falta de vereadores no plenário para trabalhar. Durante a 41ª sessão ordinária, em que a mudança do cronograma foi pautada, importantes votações deixaram de acontecer porque os parlamentares simplesmente abandonaram o recinto antes da conclusão dos trabalhos.
Um decreto legislativo de urgência, que pedia a sustação do contrato da empresa Prime, acusada de atrasar pagamentos e deixar crianças sem transporte escolar nos distritos, não foi votado por falta de quórum qualificado (eram necessários 16 votos, mas apenas 14 parlamentares permaneceram no local).
O vereador Breno Mendes criticou o esvaziamento e alertou para o risco da paralisação dos trabalhos. "Olha, acredito que é um grande prejuízo para a população de Porto Velho, tendo em vista que as crianças já ficaram sem aula nos distritos. E o que pode acontecer sem a Câmara estar... pode agravar o quadro", protestou o parlamentar.
A debandada chegou a momentos de apelo e constrangimento por parte da Mesa Diretora, que tentava "garimpar" vereadores pelos corredores para tentar votar os projetos finais da pauta.
"Vamos aguardar um pouquinho, 5 minutos, que eu acho que ele foi só dar um alô lá pro pessoal. [...] Liga pro [vereador] Dourado. [...] Vamos ser solidários com o projeto do colega, pessoal. Uma hora a gente precisa", implorou a presidência, na tentativa de reunir quórum.
Sem sucesso na permanência dos pares, uma sessão extraordinária que ocorreria logo em seguida precisou ser cancelada. "Vou desconvocar a extraordinária aqui já anunciando, já tá desconvocada por falta de quórum", declarou a Mesa.
Como se não bastasse a redução do calendário semanal aprovada para o período eleitoral, a Câmara enterrou o esvaziamento do plenário com um brinde de descanso remunerado. No encerramento do dia, foi anunciado que os parlamentares entram imediatamente em um recesso legislativo de 15 dias.