Com mais de 25 mil habitantes e um dos maiores territórios de Rondônia, Nova Mamoré apresenta características que a diferenciam da maioria dos municípios do estado. A cidade possui baixa dependência de repasses externos, uma economia sustentada por atividades ligadas ao setor produtivo e posição estratégica na região de fronteira. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios importantes na qualidade da educação, nos indicadores de saúde pública e na infraestrutura de saneamento básico.
Administrado pelo prefeito Marcélio Rodrigues Uchôa, o município registrou população de 25.444 habitantes no Censo de 2022, ocupando a 14ª posição entre os 52 municípios rondonienses. Apesar disso, sua densidade demográfica é uma das menores do estado, com apenas 2,53 habitantes por quilômetro quadrado, reflexo da enorme extensão territorial de mais de 10 mil quilômetros quadrados.
Território gigantesco e importância estratégica
Nova Mamoré possui área territorial de 10.070,5 quilômetros quadrados, sendo o quinto maior município de Rondônia e um dos maiores do Brasil em extensão territorial.
A dimensão do território representa oportunidades econômicas ligadas à agropecuária, ao extrativismo e à logística de fronteira. Por outro lado, também aumenta os desafios da administração pública, especialmente no atendimento das comunidades rurais e na manutenção da infraestrutura em regiões distantes da sede municipal.
Economia apresenta diferencial raro em Rondônia
Um dos indicadores mais positivos de Nova Mamoré está na sua capacidade de gerar receitas próprias.
Enquanto a maioria dos municípios rondonienses depende fortemente de transferências federais e estaduais, Nova Mamoré registrou apenas 41,66% de dependência de receitas externas em 2024, o menor índice entre todos os municípios do estado.
O dado demonstra uma capacidade de arrecadação significativamente superior à média estadual e revela maior autonomia financeira para a gestão municipal.
O PIB per capita alcançou R$ 41.682,37 em 2023, colocando o município na 29ª posição estadual. Embora não esteja entre os maiores índices de Rondônia, o resultado mostra uma economia estável e diversificada.
Outro dado relevante é o volume de investimentos públicos. Em 2024, as despesas empenhadas ultrapassaram R$ 171,8 milhões, colocando Nova Mamoré entre os municípios que mais executaram recursos no estado.
Mercado de trabalho ainda convive com baixos salários
Apesar da força econômica, os reflexos na renda da população ainda são limitados.
O salário médio dos trabalhadores formais foi de apenas 1,7 salário mínimo em 2023, um dos menores índices de Rondônia. O município aparece na 46ª posição estadual nesse indicador.
Ao mesmo tempo, foram registrados 2.836 empregos formais, número expressivo para uma cidade do porte de Nova Mamoré.
Outro dado que chama atenção é que 44,5% da população possuía renda per capita inferior a meio salário mínimo, demonstrando que parte significativa dos moradores ainda enfrenta dificuldades econômicas.
O cenário sugere que a geração de riqueza local ainda não se converte plenamente em melhoria da renda média da população.
Educação apresenta cobertura elevada, mas desempenho preocupa
A educação mostra resultados contraditórios.
A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos atingiu 98,73%, garantindo praticamente a universalização do acesso ao ensino fundamental.
Entretanto, os indicadores de aprendizagem estão entre os mais baixos de Rondônia.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o município registrou IDEB de 4,6, ocupando a 48ª posição estadual. Nos anos finais, o índice foi de 4,3, deixando Nova Mamoré na 41ª colocação entre os municípios rondonienses.
Os números indicam que o acesso à escola está garantido, mas a qualidade da aprendizagem ainda precisa avançar para que os estudantes obtenham melhores resultados acadêmicos.
Saúde exige atenção da gestão pública
Os indicadores de saúde também acendem um sinal de alerta.
A mortalidade infantil alcançou 19,44 óbitos por mil nascidos vivos em 2023, colocando Nova Mamoré na oitava posição estadual nesse indicador.
As internações por diarreia chegaram a 172 casos por 100 mil habitantes em 2024, número considerado elevado e frequentemente associado a problemas de saneamento básico e condições ambientais.
Embora o município mantenha sua rede de atendimento em funcionamento, os dados revelam a necessidade de ampliar ações preventivas e investimentos na atenção básica.
Saneamento continua sendo um dos maiores gargalos
Se há uma área em que Nova Mamoré apresenta indicadores preocupantes, é o saneamento básico.
Apenas 0,81% dos domicílios possuem acesso adequado à rede de esgotamento sanitário, índice extremamente baixo para os padrões nacionais.
A urbanização das vias públicas também apresenta números modestos. Somente 0,1% das ruas possuem simultaneamente pavimentação, calçadas, meio-fio e drenagem adequada.
Mesmo com 80,64% de arborização urbana, o município ainda enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
Município possui potencial, mas precisa transformar riqueza em desenvolvimento social
Os números mostram que Nova Mamoré reúne condições favoráveis para crescer. A combinação de grande território, posição estratégica, arrecadação própria robusta e economia relativamente estável cria uma base importante para o desenvolvimento.
Por outro lado, os indicadores sociais revelam que ainda há um longo caminho a percorrer. Educação, saúde e saneamento aparecem como os principais desafios da administração municipal nos próximos anos.
O grande teste para Nova Mamoré será transformar sua capacidade econômica e financeira em melhorias concretas para a população. Se conseguir avançar nesses setores, o município poderá consolidar-se não apenas como uma potência territorial e econômica de Rondônia, mas também como referência em qualidade de vida na região de fronteira.