Rondônia registra um dado preocupante sobre a violência doméstica: 26% das mulheres relataram ter vivido situações concretas de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas não reconheceram espontaneamente essas experiências como violência doméstica ou familiar. O índice é próximo da média nacional, de 29%.
Os dados são da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, e integram a atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero.
No estado, 31% das mulheres afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar ao longo da vida. Entre as vítimas, 86% relataram violência psicológica, 83% violência física e 75% violência moral. Em 68% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro.
A pesquisa mostra ainda que 15% das vítimas continuam convivendo com o agressor. Entre os casos mais graves, 54% relataram que o agressor estava bêbado, 48% citaram ciúmes e 45% disseram que ele não aceitava o fim ou a tentativa de término do relacionamento.
O conhecimento sobre os mecanismos de proteção também é limitado. Embora 93% das rondonienses conheçam a Defensoria Pública e 90% a Delegacia da Mulher, apenas 14% afirmam conhecer muito a Lei Maria da Penha. Sobre as medidas protetivas, 87% têm conhecimento superficial ou nenhum conhecimento.
O levantamento aponta ainda que 74% das rondonienses perceberam aumento da violência doméstica no ano anterior à pesquisa.
Em todo o país, o estudo mostra uma diferença significativa entre a violência vivenciada e aquela reconhecida pelas próprias vítimas. A conclusão reforça a necessidade de ampliar não apenas a rede de proteção, mas também a informação para que as mulheres consigam identificar situações de violência e saibam onde buscar ajuda.