ENTENDA: Gordura do fígado não vem da gordura da comida

Saiba o que é que você come que pode te levar a esse problema

ENTENDA: Gordura do fígado não vem da gordura da comida

Foto: Reprodução

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Quando se fala em gordura no fígado, é comum imaginar que o problema surge pelo consumo de alimentos gordurosos, mas isso está longe da verdade. Segundo o médico Bruno Pitanga, em um vídeo para o instagram, a esteatose hepática, nome técnico da condição, está muito mais ligada ao excesso de carboidratos simples e açúcares do que à ingestão de gordura propriamente dita.
 
O grande vilão, portanto, não é o azeite ou o abacate, mas sim o pão branco, o refrigerante e os doces que comemos com frequência. Entender essa diferença é essencial para prevenir um problema que, silenciosamente, pode evoluir para complicações sérias no fígado.
 
 
A verdadeira causa da “gordura no fígado”
 
De acordo com Bruno, “a esteatose hepática não está diretamente relacionada ao consumo de gordura alimentar. Apesar do nome, a principal causa do acúmulo de gordura no fígado é o excesso de carboidratos refinados e frutose na dieta”.
 
Ou seja, quando ingerimos grandes quantidades de açúcar, farinha branca, refrigerantes e ultraprocessados, o corpo transforma esse excesso de energia em triglicerídeos. “O fígado converte esse excesso em gordura, que se acumula dentro das células hepáticas”, explica o médico. “É o excesso de carboidratos e não de gordura que alimenta a esteatose hepática.”
 
Com o tempo, esse acúmulo leva a inflamação e estresse oxidativo nas células do fígado. Se o quadro não for identificado e tratado, pode evoluir para fibrose e até cirrose hepática, condições muito mais graves e de difícil reversão.
 
 
Um problema silencioso e perigoso
 
O fígado é um órgão resistente e costuma sofrer em silêncio. Por isso, a esteatose hepática geralmente não apresenta sintomas nas fases iniciais. “Muitas vezes, a condição é descoberta apenas em exames de rotina ou quando o fígado já está inflamado”, afirma o Dr. Pitanga.
 
Essa inflamação pode aumentar o risco de outras doenças crônicas e afetar até o equilíbrio hormonal. “Em mulheres, a esteatose pode agravar a síndrome dos ovários policísticos (SOP); já em homens, pode reduzir a produção de testosterona, afetando a libido e os níveis de energia”, completa o médico.
 
 
Os exames parecem normais, mas nem tanto
 
Outro ponto importante é que ter exames de sangue normais não significa que o fígado está saudável. “A presença de gordura no fígado pode ocorrer mesmo com resultados normais nos testes de TGO e TGP”, alerta o especialista.
 
Por isso, ele recomenda uma avaliação mais ampla da saúde hepática, que inclua exames como ultrassonografia abdominal, gama-GT, ferritina, triglicerídeos, HDL e a avaliação da resistência à insulina (índice HOMA).
 
 
O que fazer para proteger o fígado
 
Para prevenir a esteatose hepática, o primeiro passo é reduzir o consumo de açúcares, farinhas brancas e bebidas adoçadas. Priorizar alimentos naturais e integrais, como frutas, verduras, legumes e fontes de gordura boa (como azeite, castanhas e peixes), ajuda a manter o fígado funcionando bem.
 
Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regular e controlar o peso corporal também são medidas fundamentais. “O fígado tem grande capacidade de regeneração. Com mudanças no estilo de vida, é possível reverter a esteatose e restaurar sua função normal”, finaliza Bruno Pitanga.
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