O Conexão Rondoniaovivo recebeu nesta quinta-feira (23) o ex-secretário da saúde uma vez acusado de corrupção, Dr. Luis Eduardo Maiorquim, em uma entrevista sobre o cenário de crise na saúde estadual e sua pré-candidatura a deputado estadual pelo partido Republicanos.
Paulista de Votuporanga, Maiorquim cresceu no interior de Mato Grosso e é formado na Universidade Federal do Amazonas. Ele veio para Rondônia há “quase 30 anos”, após chegar a Porto Velho (RO) como médico oficial do Exército Brasileiro. Com currículo na gestão pública, ele é o atual presidente do Sindicato Médico de Rondônia (SIMERO), embora sua passagem pelo comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) também seja lembrada por sua prisão temporária na "Operação Pouso Forçado" (2019), que apurou suspeitas de fraudes em contratos milionários de táxi aéreo.
Durante a entrevista conduzida pelo apresentador e jornalista Ivan Frazão, Maiorquim deixou o passado de lado para disparar denúncias graves contra a atual administração estadual. A revelação mais impactante envolveu a paralisação das obras do Hospital Euro, que seria construído atrás do Hospital de Base.
Segundo o médico, a gestão do governador Marcos Rocha assumiu o Estado com o projeto do Euro pronto para ser licitado e com os recursos garantidos em caixa. No entanto, o governo optou por tentar uma Parceria Público-Privada (BTS) na Bolsa de Valores, que fracassou.
"Ele mudou completamente o modelo, não deu sequência àquela construção e foi fazer a proposta que foi na bolsa de valores para contratar uma empresa no modelo privado", revelou.
Pior do que a obra não ter saído da terraplanagem, Maiorquim denunciou que o dinheiro da construção foi desviado de sua finalidade original. "O recurso destinado para a construção deste hospital necessário, ele foi agora destinado através de leis (...) para custeio do serviço de saúde do estado porque seguramente a Secretaria de Saúde tá com fragilidade orçamentária", disparou.
“Apagão" de concursos e fuga de especialistas
Outro problema apontado pelo ex-secretário é a absoluta falta de reposição no quadro de servidores efetivos. Maiorquim expôs a contradição de Rondônia ser um polo formador de excelência através do Hospital de Base (que conta com residências em cirurgia plástica, pediatria, medicina intensiva e clínica médica), mas perder esses profissionais para outros estados.
"O estado forma médicos especialistas em torno de 80 a 90 médicos por ano (...) O estado foi incapaz de contratar um desses especialistas nos últimos 8 anos. Meu Deus do céu, esse estado nosso não fez um concurso público para a saúde!", criticou.
O resultado, segundo ele, é a dependência de plantões extras e contratos precários e emergenciais para manter as escalas de hospitais como o Pronto Socorro João Paulo II.
Fim dos transplantes renais e terceirização do SUS
O pré-candidato também lamentou a perda do programa de transplantes renais em Rondônia, vital para a enorme população de pacientes dialíticos do estado. Ele revelou que a equipe de cirurgiões altamente qualificada, vinda da Unicamp, abandonou o estado por absoluta falta de diálogo com o governo.
"Perdemos a equipe de transplante por bobagem, por não terem recebido e ouvido as necessidades que eles estavam correndo atrás para manter o transplante no estado. Isso foi um absurdo", lamentou o médico, lembrando que a equipe chegou a realizar quase 100 procedimentos antes de se transferir para Florianópolis.
Sobre a crescente onda de terceirização de unidades de saúde no interior (como em Vilhena), Maiorquim adotou uma postura técnica. Ele defendeu que a iniciativa privada deve atuar no SUS apenas de forma complementar, suprindo lacunas de alta complexidade que o Estado não consegue cobrir, como cirurgias cardíacas.
Contudo, criticou a entrega de prontos-socorros inteiros para a gestão privada. Na sua visão, isso é uma manobra de gestores incapazes para "tirar a responsabilidade e passar responsabilidade para o terceiro de tal maneira que não é mais responsabilidade minha de gestão".
Maiorquim finalizou a entrevista explicando que o objetivo de sua pré-candidatura é suprir um "vazio gigante" na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), propondo a criação de um gabinete estritamente técnico que possa não apenas fiscalizar os gastos, mas orientar os 52 municípios rondonienses na formulação de licitações, protocolos e políticas públicas de saúde eficazes.