A denúncia sobre a suposta invasão de uma área tombada pertencente ao patrimônio histórico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), no bairro Bate-Estaca, em Porto Velho, segue em tramitação no Ministério Público Federal (MPF).
O caso foi distribuído ao 8º Ofício, responsável pelas áreas de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, onde foi autuada a Notícia de Fato nº 1.31.000.001299/2026-35.
De acordo com as informações disponíveis, o procedimento permanece em andamento e, até o momento, não registra diligências formalizadas.
A instauração da Notícia de Fato representa a etapa inicial de apuração, destinada à análise dos elementos apresentados e à definição das medidas que poderão ser adotadas pelo órgão ministerial.
A denúncia feita pela Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (Asfemm) trata da ocupação de uma área considerada integrante do conjunto histórico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um dos mais importantes patrimônios culturais da Amazônia e símbolo da formação histórica de Rondônia.
O conjunto ferroviário possui proteção legal por meio do tombamento federal, estando sujeito à fiscalização dos órgãos de preservação.
Além do MPF, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já foi acionado para acompanhar o caso. A Polícia Federal também foi comunicada sobre os fatos, diante da possibilidade de eventual dano a bem protegido pela União.
A atuação conjunta dos órgãos busca verificar a existência de ocupação irregular, identificar eventuais responsáveis e avaliar se houve intervenções capazes de comprometer a integridade do patrimônio histórico. Caso sejam constatadas irregularidades, poderão ser adotadas medidas administrativas, civis e, eventualmente, criminais.
A preservação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é considerada de interesse público nacional.
Construída no início do século XX, a ferrovia desempenhou papel decisivo na ocupação da região amazônica e permanece como um dos principais marcos históricos de Porto Velho.
De acordo com o presidente da Asfemm, George Telles, o procedimento segue em tramitação no Ministério Público Federal, que poderá requisitar informações ao Iphan, à Polícia Federal e a outros órgãos competentes antes de decidir pela abertura de um inquérito civil, pelo arquivamento da notícia de fato ou pela adoção de outras providências cabíveis.