CÉU CINZENTO: Primeiras queimadas em Porto Velho surgem antes do verão amazônico mais severo

Governo de Rondônia tem até segunda-feira (8) para apresentar ao STF o plano de ação contra queimadas

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Foto: Reprodução

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A Semana Nacional do Meio Ambiente começou sob um cenário preocupante em Rondônia. Os primeiros tons acinzentados nos céus provocados por queimadas já podem ser observados em áreas de Porto Velho, antecipando um período que especialistas apontam como de alto risco para incêndios florestais, problemas respiratórios e degradação ambiental.
 
Nesta semana, focos de queimadas foram registrados no entorno do ponto final de ônibus do bairro Ulisses Guimarães, na zona Leste da capital, e também em áreas do setor chacareiro localizado no início da Estrada da Penal. Embora ainda sejam ocorrências localizadas e focos pequenos, os registros acendem o alerta para o início de uma temporada que historicamente provoca impactos severos em Rondônia.
 
O Estado carrega um histórico preocupante quando o assunto é queimadas. Nos últimos anos, Rondônia tem figurado entre as unidades da federação com maior número de focos de calor da Amazônia Legal, enfrentando sucessivas crises ambientais durante os períodos de estiagem. Em diversas ocasiões, Porto Velho chegou a registrar índices de qualidade do ar classificados entre os piores do mundo devido à fumaça produzida pelos incêndios florestais e queimadas em áreas rurais.
 
Efeitos na saúde começam antes do auge da seca
 
Além de fatores ambientais tem os problemas de saúde pública com os efeitos da fumaça atingindo principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias crônicas que são os que mais buscam socorro nas unidades de saúde em épocas de queimadas.
 
A exposição prolongada às partículas emitidas pelas queimadas pode provocar crises de asma, bronquite, rinite, infecções respiratórias, irritação nos olhos, dores de cabeça e agravamento de doenças cardiovasculares. Durante os períodos mais críticos, hospitais e unidades de pronto atendimento costumam registrar aumento significativo na procura por atendimento relacionado a problemas respiratórios.
 
Além dos danos à saúde humana, as queimadas provocam perda de biodiversidade, destruição de habitats naturais, morte de animais silvestres e emissão de grandes quantidades de gases de efeito estufa, agravando o aquecimento global.
 
Previsões apontam verão intenso e clima mais extremo
 
O cenário para os próximos meses preocupa ainda mais diante das previsões meteorológicas para a região amazônica. Avaliações climáticos indicam a possibilidade de um verão marcado por estiagem prolongada, temperaturas acima da média histórica e redução dos índices de umidade relativa do ar. O alerta do reflexo dos fenômenos climáticos globais que vêm alterando o comportamento das chuvas na Amazônia, favorecendo períodos mais longos de seca e aumentando a vulnerabilidade das florestas ao fogo.
 
A combinação entre vegetação ressecada, altas temperaturas e ação humana costuma criar as condições ideais para a propagação rápida dos incêndios, especialmente em áreas de expansão urbana, propriedades rurais e regiões próximas a unidades de conservação.
 
 
STF cobra plano de combate às queimadas
 
O avanço dos focos de incêndio ocorre em meio à cobrança do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Governo de Rondônia apresente medidas concretas de enfrentamento ao problema. Por determinação da Corte, o Estado tem prazo de dez dias para apresentar um plano de ação voltado à prevenção e ao combate das queimadas. O prazo termina na próxima segunda-feira, 8 de junho.
 
A exigência faz parte do acompanhamento nacional das políticas de combate ao desmatamento e aos incêndios florestais na Amazônia, tema que vem sendo monitorado pelo STF diante dos impactos ambientais, climáticos e sociais causados pelos episódios recorrentes de queimadas na região.
 
Sinal de alerta
 
Embora a temporada crítica ainda esteja no início, os primeiros registros de fumaça em Porto Velho mostram que Rondônia já começa a entrar no período mais delicado do ano.
 
Com previsões de seca intensa, risco elevado de incêndios e um histórico recente de recordes de queimadas, o desafio é agir preventivamente para evitar que o Estado volte a conviver com meses de céu encoberto pela fumaça, prejuízos ambientais e aumento das doenças respiratórias.
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