Já se vão aí quarenta e tantos anos. Era uma época em que os festejos de sete de setembro promoviam verdadeiro congraçamento entre o povo e as autoridades.
Hoje, porém, tudo mudou. Civismo e patriotismo são artigos de luxo aos quais nem todos têm acesso. O Hino Nacional, antes cantado na entrada e saída da escola, está em desuso. Foi esquecido num canto qualquer da casa, como um móvel inservível.
O professor, outrora admirado e respeitado por alunos, país e autoridades, hoje, é visto como um coitadinho, que precisa fazer bicos para sobreviver.
Mas não é somente o professor que vive andando na corda bamba sem ser malabarista. A maioria dos que presta serviços à máquina oficial, nos três níveis de poder, ganha um salário de fome, que mal atende às suas necessidades mais prementes. Um empréstimo hoje, um adiantamento amanhã, uma antecipação no próximo mês. E assim vai-se levando.
Foi-se o tempo em que o sete de setembro era um acontecimento histórico, no qual a sociedade revelava o respeito e o acatamento aos que escolhera para governá-la. Enfim, algo para ser levado a sério. Infelizmente, hoje, a data não tem a mesma importância de antanho, não passa de um dia como qualquer outro.