A ÚLTIMA CASA: Ficção irregular com Wagner Moura é o mais visto no Mundo - Por Marcos Souza

A ÚLTIMA CASA: Ficção irregular com Wagner Moura é o mais visto no Mundo - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
1 pessoas reagiram a isso.
Filme de ficção científica “A Última Casa” (The Last House/2026), do diretor Louis Leterrier (diretor do melhor filme do Hulk para a Marvel), ficou disponível no catálogo do serviço de streaming da Netflix na última sexta-feira, 07, e já se tornou um estrondoso sucesso, sendo o mais assistido da plataforma no mundo, de acordo com dados registrados pelo FlixPatrol, empresa que acompanha e mensura os rankings dos principais streamings em quase todos os países.
 
E o que isso significa? Que o filme teve um retorno espetacular, apesar de ser divisivo e ter se tornado um dos mais criticados atualmente também. Para ter uma ideia, a crítica, no geral, detestou, com uma aprovação baixa de 27% na plataforma agregadora de avaliações de filmes e séries, Rotten Tomatoes. No IMDb, a nota de avaliação é de 5,6 de 10. Regular.
 
Antes de mais nada, devo afirmar que Wagner Moura e a atriz Greta Lee estão ótimos, praticamente dão vida ao drama de ficção científica meio apocalíptico e lovecraftiano — referência ao horror cósmico do escritor especialista em terror H. P. Lovecraft. Wagner, então, mostra uma versatilidade impressionante num papel até ingrato: um pai de família que fica preso dentro da própria casa, com a esposa e os dois filhos.
 
Escrito isso, o filme é claramente dividido em duas partes: uma introdução muito boa, mostrando a situação, colocando os personagens num misto de desespero e buscando uma fórmula para a própria sobrevivência; depois, entra numa espiral de situações que pedem soluções dramáticas. Porém, o diretor Leterrier é especialista em filmes de ação e tem dificuldades ao enveredar por pequenos dramas familiares que a história tenta apresentar em vista da tensa situação, não tendo força o suficiente para sustentar o ritmo.
 
Na metade para o fim, quando vamos ter parte do mistério surgindo como uma reviravolta que deveria ser uma surpresa, as situações decorrentes se diluem em uma série de clichês — já vistos em outros filmes similares —, absolutamente decepcionantes, com uma passagem de tempo surpreendente e sem lógica, pois parece que o roteirista, Matthew Robinson (o mesmo de “Amor e Monstros”), quis correr com a história para chegar logo ao terço final e apresentar o clímax do confronto.
 
 
Num dia comum, uma família que mora no subúrbio da cidade de Seattle (Washington), na última casa de um condomínio, descobre que um estranho fenômeno os impede de sair, selando todas as saídas (portas e janelas), como se tivesse um campo de força cercando a residência. Olhando a vizinhança ao redor, percebe que todas as casas estão desse jeito, isolando todos os moradores. Logo em seguida, são avisados, através de cartazes, por um vizinho de que essa ocorrência é de esfera global.
 
O casal Jason (Wagner Moura) e Ann (Greta Lee), com os dois filhos, Ruth (a atriz Riley Chung, que a interpreta quando criança, e Emma Ho, que a faz adolescente) e Graham (com Noah Alexander o interpretando na fase pré-adolescente, e Gabriel Barbosa, já na fase adolescente), descobrem que se trata de um fato inesperado e que tem a ver com o mar e o clima, sem uma explicação lógica. Porém, os dias vão passando, semanas, e, sem solução definida, Jason e Ann resolvem agir para produzir comida, pois tudo vai depender de como eles devem sobreviver a essa situação, isolados dentro do lar, junto com uma cadela de estimação.
 
Impossível não fazer um paralelo com a pandemia da Covid e o lockdown, com as pessoas confinadas em casa enquanto vivem um drama de isolamento. Só que, claro, aqui é muito mais radical.
 
No cerne desse drama, encontram meios de passar o tempo e buscar respostas para algumas coisas práticas que precisam resolver para ter alimento, mesmo que improvisem uma plantação dentro de casa, quebrando o piso, ou consigam proteína com animais silvestres que visitam o jardim deles, e Jason, que é engenheiro, crie armadilhas que são atravessadas pela chaminé com uma corda.
 
 
O detalhe é que, algumas vezes, o roteiro encontra meios convenientes para resolver alguns detalhes e evita o conflito de convivência natural pelo estresse emocional que cada um vive. Como o confronto dos pais com os filhos, mas sem aprofundamento nenhum. Sugere o conflito, mas logo é contornado pelo homem da casa, que busca dar solução a tudo e, até mesmo quando é confrontado pela esposa, tende a retrair-se de imediato. É tudo pueril.
 
Talvez a sequência mais dramática e com uma solução inevitável seja a da cadela. Mas tem que ver para entender.
 
Na parte final, vamos compreender (ainda que de maneira forçada) parcialmente que criaturas vindas do mar, após um salto temporal, já estão circulando na Terra, caçando humanos que estão fora de casa. E é esse confronto que vai dar uma esperança de fuga para a família. Mas, até se chegar lá, o filme não deixa de apresentar alguns furos e falta de explicação coerente para um final — ao meu ver — pavoroso.
 
É um filme divisivo, do tipo “ame ou odeie”. Você pode gostar da premissa, que achei muito boa, com uma ideia muito interessante, mas, na execução, comete pecados de narrativa que acabam prejudicando o sentido dramático da história.
Mas é ótimo ver e admirar o talento do ator brasileiro Wagner Moura, que domina muitas cenas com humor e drama, sobrepõe até mesmo alguns clichês do roteiro e faz um par muito bom com a excepcional atriz Greta Lee. O filme tem também bons efeitos de CGI, como podem ser vistos na parte final do filme.
 
Se recomendo? Sim, recomendo. Tem qualidades, apesar de sérios problemas de roteiro — no que deveria ser a solução e a conclusão da história.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site