RETRATO DE MULHER: Leia a crônica 'No sítio Laranjeira: onde a galinha é de capoeira e a manga é rosa'

A estudante de Jornalismo Amelia Neves conta a história de Veroneide Alves da Silva

RETRATO DE MULHER: Leia a crônica 'No sítio Laranjeira: onde a galinha é de capoeira e a manga é rosa'

Foto: Sombra, conversa boa e manga fresca - Reprodução de acervo pessoal

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“Todo mundo tem um lugar especial que fica guardado na caixinha das lembranças”. Para a professora Veroneide Alves, ou simplesmente Vera, esse lugar é o sítio Laranjeira, que fica próximo à cidade de Anadia, em Alagoas. Em um domingo de 1994, ela, sua mãe Lio e os amigos Osvaldo, Eliane e o filho Rudge seguiram em direção ao sítio para um dia de piquenique — um daqueles encontros que ficam guardados no coração.
 
Naquela época, diversão eram dias de simplicidade: saíam cedo de casa, “antes do sol ficar quente”, como diz Vera. A pé ou de carona passavam o dia de domingo no sítio. A casa pequena, de alvenaria, abraçava os visitantes com suas janelas abertas ao vento e o perfume da comida feita com carinho e que não podia faltar: a galinha de capoeira era a estrela do almoço. “Quem já provou, sabe bem do que estou falando”, disse ela com a boca salivando.
 
Não tinha água encanada, o poço era o auge da diversão. “Vamos pegar água!”, chamava dona Joelma e tudo virava um convite para risos e conversa. A comida e as tarefas eram coletivas — uma lavava a louça, outra varria a casa e tinha sempre alguém que buscava a água. Tudo em harmonia, pra depois sentarem no terreiro, sob a sombra das árvores, jogar conversa fora e lanchar manga rosa direto do pé.
 
A professora continua somando memórias, diminuindo distâncias, multiplicando afeto e dividindo conhecimento com suas turmas ao longo do tempo, aquilo que um dia aprendeu na prática: do valor das pequenas coisas ao prazer de aprender junto.
 
“Lá o tempo passava que a gente nem via”, lembra Vera. E assim também são as lembranças dessas histórias — passam depressa, mas são eternas.
 

 

Crônica escrita a partir de relatos de registros fotográficos de Veroneide Alves da Silva, 57 anos, professora, em entrevista concedida no dia 26 de maio de 2025.

Amelia Neves é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

As fotografias fazem parte do acervo pessoal da entrevistada.

A crônica é uma atividade do projeto de extensão Retrato de mulher – Relatos de fragmentos de histórias de vida de mulheres a partir de registros fotográficos (2025).

 

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