O Brasil conquistou um título nada desejável: é hoje o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo. O dado preocupa, mas não surpreende. Especialistas afirmam que a ansiedade por aqui deixou de ser um problema exclusivamente individual e se tornou um reflexo direto do contexto socioeconômico em que vivemos.
Para o especialista em marketing e empreendedorismo Felipe Clavé, o cenário é o retrato de uma sociedade em colapso emocional. 'Vivemos endividados são mais de 70 milhões de brasileiros com dívidas em atraso.
Dormimos mal 72% da população relata distúrbios do sono. Sofremos com o calor extremo 2024 foi o ano mais quente já registrado no país. Passamos tempo demais conectados mais de nove horas por dia online, sendo 3h37 apenas em redes sociais. E ainda convivemos com a violência urbana, onde cada deslocamento diário exige atenção e cautela, como se fosse uma operação de risco.'
Esses fatores se somam a um ambiente de cobrança constante, onde produtividade é exigida em ritmo industrial, mesmo quando o corpo e a mente pedem descanso. Para Clavé, a ansiedade nesse contexto não é sinal de fraqueza, mas o 'produto acabado de uma engrenagem social desajustada'.
Ainda assim, ele acredita que é possível resistir. 'Cada vez que alguém cuida do sono, renegocia uma dívida, reduz o tempo de tela ou prioriza uma conversa presencial, está, mesmo que por instantes, desmontando essa fábrica de ansiedade', afirma.
Isso evidencia que a saúde mental da população brasileira depende cada vez mais não apenas de decisões individuais, mas também de transformações estruturais. Enquanto isso, o cuidado diário com o corpo, o tempo e os vínculos segue sendo uma forma silenciosa de resistência.