Nova fase da Lava Jato investiga propinas em obras de estádios
Foto: Divulgação
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A Operação Xepa, a 26ª fase da Lava Jato, investiga propinas pagas em dinheiro pela Odebrecht dentro do Brasil e que envolve várias obras, que vão de estádio de futebol à Petrobras. Os investigadores disseram ainda que não têm dúvida que o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, participou ativamente das propinas.
A nova operação, realizada nessa terça, foi um desdobramento da Operação Acarajé, 23ª fase da Lava Jato, que atingiu o publicitário João Santana e a mulher e sócia Monica Moura. O casal trabalhou em campanhas eleitorais petistas. Segundo a investigação, acarajé era o termo usado para tratar de propina.
Durante entrevista coletiva, os promotores detalharam e mostraram planilhas com nomes, valores e codinomes, assim como os locais onde as propinas eram entregues.
"Estamos cumprindo uma fase que visa investigar fatos que nós cobrimos ainda no cumprimento da 23ª fase em relação à empresa Odebrecht. Essa investigação se deve a setores estruturados que cuidava da contabilidade paralela e pagamento de propinas com dinheiro no Brasil", afirmou Carlos Fernando Lima, procurador do Ministério Público Federal.
"Nós temos diversas diretorias envolvidas, não apenas a Petrobras. Óleo e gás, ambiental, infraestrutura, estádio de futebol, canal do sertão e diversas outras obras e áreas da Odebrecht que estão sendo investigadas hoje pelo pagamento de propina. Na medida do possível, o juiz Sergio Moro baixará o sigilo, os fatos ficarão mais claros", completou, sem entrar em detalhes de quais obras e estádio.
Segundo a procuradora da República, a participação de Marcelo Odebrecht é clara.
"Há referências das iniciais de Marcelo Odebrecht, tanto de MPO quando de DP, diretor presidente. (...) além da referência existentes nessas tabelas, as anotações constantes de celulares também se compatibilizam com o que consta dessas tabelas.
A Xepa, com 110 mandados judiciais, foi realizada nessa terça-feira em 8 Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí, Pernambuco e Minas Gerais) e mais Brasília, onde a polícia foi até um hotel onde moram políticos e fica perto da Esplanada.
A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga uma "estrutura secreta" do Grupo Odebrecht usada para "pagamentos ilícitos".
"A pedido do Ministério Público Federal e da Polícia Federal são executadas prisões, buscas e conduções para investigar estrutura secreta do Grupo Odebrecht usada para pagamentos ilícitos até o pelo menos o segundo semestre de 2015", informou a Procuradoria.
"Para operacionalizar o esquema ilícito, foi instalado dentro do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht um sistema informatizado próprio, utilizado para armazenar os dados referentes ao processamento de pagamentos ilícitos e para permitir a comunicação reservada entre os executivos e funcionários envolvidos nas tarefas ilícitas".
Segundo o Ministério Público Federal, os "pagamentos ilícitos" teriam ocorrido até pelo menos o segundo semestre de 2015. São investigados, de acordo com a Procuradoria, possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de ativos oriundos de desvios da Petrobras, cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao Grupo Odebrecht.
"Além disso, para viabilizar a comunicação secreta entre executivos, funcionários da Odebrecht e doleiros responsáveis por movimentar os recursos espúrios, utilizava-se outro programa, em que todos se comunicavam por meio de codinomes. A partir da análise de e-mails e planilhas apreendidas, apurou-se que pelo menos 14 executivos de outros setores do Grupo Odebrecht, que demandavam "pagamentos paralelos", encaminhavam aos funcionários as diversas solicitações de pagamentos ilícitos, de forma que a contabilidade paralela e a entrega dos valores espúrios ficassem centralizados nesta estrutura específica", afirmou a força-tarefa.
Os investigadores sustentam que o material abre uma nova linha de apuração de pagamento de propinas em função de variadas obras públicas.
"Em decorrência das buscas e apreensões e de outras diligências realizadas após a deflagração da 23ª fase da Operação Lava Jato, colheram-se indícios de que foi instalado dentro da estrutura do Grupo Odebrecht um setor profissionalmente organizado que era utilizado para pagamentos que incluíam vantagens indevidas a servidores públicos em razão de contratos firmados pela Odebrecht, chamado 'setor de operações estruturadas'", diz a nota da força-tarefa.
Segundo os procuradores, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht tinha conhecimento e dava anuência para os pagamentos ilícitos.
"A partir das planilhas obtidas e das anotações contidas no celular de Marcelo Odebrecht, obtiveram-se mais evidências contundentes de que este, então presidente da Organização Odebrecht, não apenas tinha conhecimento e anuía com os pagamentos ilícitos, mas também comandava diretamente o pagamento de algumas vantagens indevidas, como, por exemplo, as vantagens indevidas repassadas aos publicitários e também investigados Monica Moura e João Santana", apontou a nota.
Mais detalhes sobre a operação dessa terça-feira:
Discriminação dos Mandados Judiciais
28 mandados de condução coercitiva (Alvos com múltiplos endereços)
11 mandados de prisão temporária (Alvos com múltiplos endereços)
4 mandados de prisão preventiva (Alvos com múltiplos endereços)
67 mandados de busca e apreensão divididos da seguinte forma:
29 - São Paulo (sendo 25 em São Paulo)
18 - Rio de Janeiro (1 em Angra dos Reis e 17 no Rio)
8 - Bahia: (7 em Salvador e 1 em Mata de São João)
4 - Brasília
4 - Pernambuco (todos em Recife)
3 - Minas Gerais (2 em Belo Horizonte e 1 em Nossa Fazenda)
1 - Rio Grande do Sul (Porto Alegre)
* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!