REPRESENTATIVIDADE: Abordagem sensível do autismo em doramas cativa e emociona público

'Uma Advogada Extraordinária' e 'Tudo Bem Não Ser Normal' trazem o tema com sensibilidade

REPRESENTATIVIDADE: Abordagem sensível do autismo em doramas cativa e emociona público

Foto: Divulgação

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As duas produções sul-coreanas têm personagens no espectro autista, mas em contextos diferentes. Woo Young Woo: TEA nível 1 de suporte, alta funcionalidade cognitiva, inserida no mercado de trabalho. Moon Sang-tae: necessita de suporte constante do irmão, tem traços mais acentuados de TEA e trauma associado.
 
Assisti Uma Advogada Extraordinária e Tudo Bem Não Ser Normal, em períodos diferentes, mas ambos me pegaram de jeito. Foi impossível em alguns momentos segurar a emoção e, claro, as lágrimas caíram. Não me incomoda dizer que chorei assistindo estes dois excelentes doramas sul-coreanos.
 
Em Uma Advogada Extraordinária, 2022, a personagem principal é Woo Young Woo, vivida de forma espetacular por Park Eun-bin, uma atriz cujo talento entra nas nossas vidas como um girassol que gira sozinho, mas ilumina a sala toda.
 
 
A personagem tem autismo leve, QI de 164, memória fotográfica e uma paixão por baleias que vira metáfora para tudo que é imenso e incompreendido, pelo menos para nós.
 
É sensacional vê-la com tantas leis decoradas, prontas na ponta da língua, mas tropeçando em cumprimentos. Ou quando recita "catraca, caneca, casaca, cômico e careca" para se apresentar, transformando o próprio nome num jogo para diminuir a ansiedade. Lee Jun-ho, feito por Kang Tae-oh, é o respiro: ele não tenta consertar a Woo, só caminha no ritmo dela.
 
A personagem foi inspirada na cientista norte-americana Temple Grandin. Tornou-se um dos doramas mais assistidos da Netflix globalmente em 2022. Aumentou o debate sobre inclusão de pessoas no espectro autista no ambiente jurídico e corporativo. A atuação de Park Eun-bin foi elogiada por representar o TEA sem caricaturas.
 
 
Não foi à toa que virou fenômeno global na Netflix, disparou debates sobre TEA na Coreia e no mundo. Pelo que li em alguns comentários na Internet, muita gente se viu pela primeira vez numa protagonista genial, esquisita e inteira. Inspirou até empresas a repensarem contratação de pessoas autistas.
 
Ah, assistir a Tudo Bem Não Ser Normal, 2020, também foi uma experiência interessante e, por que não dizer, inesquecível e emocionante. Moon Gang-tae é o Kim Soo-hyun, um cuidador de ala psiquiátrica que carrega o mundo nas costas e esqueceu de viver. Ko Moon-young, Seo Ye-ji, é autora de livros infantis com transtorno de personalidade antissocial: fria por fora, sangrando por dentro.
 
Mas quem rouba as cenas e os corações e mentes dos espectadores é Moon Sang-tae, irmão do Gang-tae, vivido brilhantemente por Oh Jung-se. Ele está no espectro autista e carrega trauma, medo e uma sensibilidade que transborda na tela. A atuação do Oh Jung-se é tão real que dói.
 
 
O que mais me tocou é que este dorama não romantiza. Fala de esquizofrenia, depressão, traumas de infância, bipolaridade através dos pacientes da ala psiquiátrica onde Gang-tae trabalha. Mostra que cura não é linha reta.
 
Foi um divisor de águas. Na Coreia do Sul, onde saúde mental ainda é tabu, o dorama abriu conversas sobre terapia, medicação e internação sem vergonha. Virou referência em representação sensível do autismo. A atuação de Oh Jung-se como Sang-tae recebeu prêmios e reconhecimento por representar o autismo adulto com sensibilidade. A série é citada como referência em discussões sobre depressão, bipolaridade e autismo.
 
Além do drama familiar intenso, drama psicológico, a parte romântica e a trama policial, "Tudo Bem Não Ser Normal tem seus momentos engraçados principalmente dos personagens do editor nada discreto Lee Sang-in (Kim Joo-hun), a impetuosa e adorável assistente de Lee Yoo Seung-jae (Park Jin-joo) e o melhor amigo grudento de Gang-tae, Jo Jae-su (Kang Ki-doong).
 
 
O Autismo em graus diferentes é o fio que une Uma Advogada Extraordinária e Tudo Bem Não Ser Normal. Woo Young Woo é verbal, genial, funcional no trabalho, mas perdida no trato social. Moon Sang-tae é não-verbal em momentos de crise, tem hiperfoco em dinossauros e ilustrações, precisa de rotina para não desmoronar. Depois fiquei imaginando: como seria o encontro dos dois?
 
Ver os dois deixa uma importante reflexão. Não tem "menos autista" ou "mais autista". Tem gente. E os dois doramas gritam que neurodivergente não precisa de cura, precisa de espaço. De um Lee Jun-ho que espera. De um Gang-tae que protege sem sufocar.
 
As produções dizem: esquizofrenia, autismo, depressão, bipolaridade não são rótulos de sentença. São só capítulos da história. E a gente ainda pode ter final feliz. Utopia televisiva? Os dois doramas contribuíram para ampliar a visibilidade do TEA e de transtornos como esquizofrenia, depressão e bipolaridade, ajudando a reduzir estigmas sobre neurodivergência e saúde mental na Ásia e internacionalmente.
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