Na tarde de hoje, o telefone tocou. Era a deputada estadual Claudia de Jesus, do PT. Não trazia exatamente saudações afetuosas: estava chateada com um artigo que escrevi, assinei e pedi a um amigo para publicar. O tema da discórdia? A sempre delicada e por vezes injusta partilha do bolo financeiro das campanhas de 2026.
A matemática é simples e implacável. Demonstrei que, somando as suas verbas ao apoio financeiro da campanha do pai — Anselmo de Jesus, candidato a federal —, a deputada abocanharia metade de todo o recurso destinado ao conjunto das nominatas estaduais e federais do PT em Rondônia.
Com os nervos à flor da pele, ela me acusou de preconceito de gênero. Tive de discordar, com a calma dos justos. Expliquei que a intenção era o oposto exato: defender que as outras mulheres do partido tivessem o mesmo tratamento dispensado a ela.
O debate, que começou tenso, acabou derivando para uma boa conversa sobre a necessidade de abrir portas para as demais candidatas — e também para os candidatos masculinos. Afinal, a política vive de entusiasmo.
Se o bom ânimo pode render uma segunda cadeira na Assembleia Legislativa, o desânimo e uma eventual debandada de nomes podem custar até mesmo a cadeira que ela hoje considera certa.
A deputada argumentou que a disparidade nos valores não era capricho seu, mas regra da direção nacional. No entanto, após me ouvir, concordou em procurar o presidente estadual da sigla para rediscutir a divisão do fundo partidário. Prometeu garantir igualdade econômica entre as mulheres, mostrando que a igualdade de gênero precisa existir na prática, não apenas nos discursos.
No fim das contas, a deputada compreendeu o raciocínio. Garantiu que chamará o pai para, juntos, redistribuírem os recursos. Uma atitude sensata que, se concretizada, será um excelente negócio para todos — e para todas.
Apesar do desconforto inicial com a chateação da deputada, saí da conversa com a sensação de dever cumprido. Meus objetivos eram — e continuam sendo — três: reforçar a candidatura de Lula no estado, criar condições para eleger um deputado federal que ajude a blindá-lo contra eventuais percalços políticos e devolver ao PT o espaço que ocupa desde 1986, garantindo duas vagas na Assembleia legislativa do Estado de Rondônia.
DANIEL PEREIRA, ex-vereador e ex-deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Rondônia.