Para mudar, Fúria terá de quebrar a Rocha - Por Roberto Gutierrez

Na convenção do PSD, candidato apresentou uma visão de governo que ainda parece carente de conteúdo e, ao citar o atual governador como referência, criou uma contradição difícil de explicar

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Estive na convenção de Adaílton Fúria (PSD). Som de batidão por todos os lados, burocrática demais e o que deveria servir para mostrar força acabou virando uma manifestação de “formiguinhas”, supostamente contratadas para balançar bandeiras, algo muito comum nas convenções.
 
O que realmente me chamou a atenção nessa convenção foi a falta de conteúdo e a contradição no discurso de Fúria.
 
Muito marketing e pouco conteúdo
 
Embora apresente uma história de superação, num primeiro momento, sua visão de governo e as prioridades apresentadas beiram uma espécie de infantilidade de marketing. Muito ruim mesmo.
 
 
Pode até haver boas intenções, mas uma candidatura ao Governo de Rondônia precisa apresentar mais do que frases de efeito. Precisa mostrar o que pretende fazer, como pretende fazer e, principalmente, em que será diferente de quem está no poder.
 
A contradição no discurso
 
A contradição aparece quando Fúria fala em mudança e em dias melhores para Rondônia, mas, ao mesmo tempo, apresenta o atual governador, Marcos Rocha, como uma referência de exemplo a ser seguido.
Isso seria como abusar da inteligência do eleitor.
 
Ora bolas! Desde o primeiro mandato, quando chegou ao poder por um acidente das circunstâncias que só acontecem na política, metaforicamente falando, o comportamento administrativo inicial do governador Marcos Rocha foi o de um ser vivo que caiu de um caminhão de mudança:
 
“Onde estou? Para onde vou? Crêêêdo! Socorro!”
 
Em outras oportunidades, escrevi que, para o governo de Marcos Rocha chegar à condição de ruim, teria que melhorar muito.
 
É claro que aprendeu alguma coisa ao longo do caminho. Mas quanto tempo foi perdido? E quanto Rondônia deixou de avançar por decisões equivocadas ou baseadas em um processo medieval de pensamento administrativo?
 
O desafio de Fúria
 
Sendo assim, as cabeças pensantes da campanha de Fúria terão que bater cabeça para encontrar uma fórmula capaz de dar ao candidato algum conteúdo próprio e, ao mesmo tempo, afastá-lo de um governo que entrará para a história pela sua inanição cognitiva administrativa.
 
O problema é que será preciso fazer isso sem perder as vantagens de ter a máquina do governo a favor de uma campanha.
 
E aí está o verdadeiro desafio de Fúria: vender a ideia de mudança sem romper com aquilo que ele próprio apresenta como referência.
 
 
“Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.”
Direito ao esquecimento

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