Nos bastidores do Palácio Rio Madeira, uma palavra passou a ser repetida de forma insistente pelo governador Marcos Rocha: traidor. O alvo, sempre o mesmo, o vice-governador Sérgio Gonçalves. Fora do discurso do governador, porém, nunca houve ato público, político ou administrativo que comprovasse qualquer traição por parte do vice.
Ao longo do mandato, Sérgio Gonçalves manteve postura institucional. Não atacou, não expôs, não desqualificou. Mesmo diante das acusações reiteradas, optou pelo silêncio e pela lealdade pública, algo cada vez mais raro em um ambiente político onde conflitos costumam ser levados ao debate aberto.
O governador seguiu caminho diferente.
Em declarações públicas e transmissões amplamente divulgadas, passou a criticar o próprio vice e, no episódio mais emblemático, exonerou Sérgio Gonçalves da Secretaria de Desenvolvimento Econômico durante uma transmissão em rede regional. A decisão teve forte repercussão política e simbólica.
A exoneração não foi apenas administrativa.
Representou um rompimento público e unilateral. Ainda assim, o vice manteve a mesma linha. Nenhuma resposta ofensiva, nenhuma tentativa de desgaste público, nenhuma reação no mesmo tom.
Diante dos fatos, uma pergunta passou a circular nos bastidores do poder: quem, de fato, traiu quem?