A recente mobilização de um pequeno grupo de professores em Porto Velho, que pede a revisão do acordo firmado entre a Prefeitura e o SINTERO, é legítima no direito à manifestação, mas deslocada no tempo e no contexto. O acordo foi construído a partir de negociação formal, com o sindicato reconhecido pela própria categoria como representante legal, e homologado após amplo debate.
O que se observa agora é a tentativa de transformar um processo encerrado em pauta política artificial. Nos bastidores e na linha de frente das manifestações, ganham protagonismo os candidatos de esquerda Samuel Costa e Marcos Combate, que passaram a estimular e dar visibilidade ao movimento, não para aprimorar o diálogo institucional, mas para criar palanque político antecipado.
As decisões tomadas refletiram a opção do próprio sindicato, que priorizou a resolução do processo do piso da categoria, em detrimento de outras alternativas, como o pagamento de abono. Reabrir esse debate agora significa desconsiderar a vontade coletiva já expressa e o papel institucional da entidade sindical.
Transformar um acordo concluído em instrumento de disputa ideológica não fortalece a educação, não valoriza os professores e tampouco contribui para a cidade. Serve apenas aos interesses eleitorais de quem perdeu o timing da história e insiste em politizar decisões que já foram tomadas de forma transparente, coletiva e legal.