Na manhã de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas foi encontrado morto em seu quarto, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
O então presidente estava usando um pijama quando tirou a própria vida, e a peça acabou se tornando um dos objetos históricos mais associados aos últimos momentos de sua trajetória política.
Décadas depois, o pijama continua preservado no acervo do Museu da República, instalado no próprio Palácio do Catete.
Atualmente, a peça é tratada como um documento histórico que ajuda a preservar a memória de um dos episódios mais marcantes da política brasileira do século 20.
O que aconteceu com o pijama de Getúlio Vargas
Após a morte de Vargas, o pijama permaneceu ligado à memória do episódio. Posteriormente, a peça passou a integrar oficialmente o acervo do Museu da República.
A incorporação ocorreu em 24 de agosto de 1978, exatamente 24 anos depois da morte do presidente.
A doação partiu de Alzira Vargas, filha de Getúlio e Darcy Vargas.
Desde então, o objeto passou a receber cuidados de conservação. Durante determinados períodos do ano, o museu mantém a peça em sua reserva técnica para realizar procedimentos de higienização e preservação.
Em outras ocasiões, o público pode vê-la em exposições relacionadas à história de Vargas.
A peça que ficou preservada
Embora muitas referências utilizem a expressão “pijama de Getúlio Vargas”, o objeto que integra o acervo e costuma aparecer nas exposições é o paletó do pijama, ou seja, a parte superior da roupa.
A peça apresenta marcas relacionadas ao episódio de 1954, incluindo o furo causado pelo disparo e vestígios de sangue e pólvora.
Por isso, o objeto possui um forte valor documental para a história brasileira.
A calça, por outro lado, teve um destino diferente. Segundo registros sobre a peça, ela foi enterrada junto com o corpo de Vargas e, portanto, não faz parte do acervo atualmente exposto no Museu da República.
Onde o pijama ficou exposto
O Museu da República manteve durante anos uma exposição do pijama no quarto onde Getúlio Vargas morreu.
A ambientação procurava reproduzir parte do cenário daquele momento histórico.
Além do pijama, o espaço também reunia objetos relacionados à morte do presidente, como o revólver e a bala utilizada no suicídio.
Dessa forma, o conjunto permitia ao visitante conhecer não apenas a peça de roupa, mas também outros elementos diretamente ligados ao episódio.
Entretanto, a exposição do objeto não ocorre necessariamente durante todo o ano.
Por questões de conservação, o museu alterna períodos de exposição e armazenamento técnico.
Em 2018, por exemplo, o Museu da República informou que o pijama retornaria à reserva técnica depois de uma temporada de exposição.
A instituição explicou que a peça precisava passar por procedimentos de higienização e conservação.
Pijama virou documento histórico
Com o passar das décadas, o pijama deixou de representar apenas uma peça de roupa e passou a funcionar como um documento material da história do Brasil.
A morte de Getúlio Vargas provocou uma enorme comoção nacional e encerrou de maneira dramática seu segundo período na Presidência da República.
Além disso, o episódio alterou profundamente o cenário político brasileiro.
Por isso, objetos diretamente relacionados àquele momento ganharam grande importância para pesquisadores e instituições de memória.
O pijama, nesse contexto, permite preservar uma evidência material do acontecimento.
Ao mesmo tempo, sua conservação exige cuidados específicos para evitar que o tempo prejudique o tecido e as marcas históricas presentes nele.
A réplica gigante que chamou atenção
O pijama original também inspirou uma obra artística de grandes proporções.
Uma réplica gigante, conhecida como “pijamão”, foi criada para representar a peça usada por Vargas.
A instalação chegou a ser apresentada em áreas do Museu da República e provocou repercussão justamente por reproduzir, em tamanho monumental, uma roupa associada à morte do presidente.
Em 2025, o museu chegou a testar a instalação de uma réplica de aproximadamente quatro metros.
Entretanto, a instituição desistiu de colocá-la em exposição por limitações técnicas relacionadas à sustentação e à ventilação.
Naquele período, o museu optou por destacar o acervo original, incluindo o pijama e outros objetos ligados a Vargas.
O objeto continua no Museu da República
Atualmente, o pijama permanece associado ao acervo histórico do Museu da República, no Palácio do Catete.
Além dele, a instituição preserva outros objetos relacionados à trajetória de Getúlio Vargas.
Entre eles estão a arma utilizada na manhã de 24 de agosto de 1954 e a primeira carteira de trabalho assinada pelo político.
O quarto onde Vargas morreu também faz parte da memória preservada no Palácio do Catete.
Ao longo dos anos, o espaço passou por diferentes períodos de abertura e fechamento para obras, manutenção e conservação.
Assim, quase sete décadas depois da morte do presidente, o pijama continua cumprindo uma função que vai muito além de sua utilização original.
A peça ajuda a preservar a memória de um dos acontecimentos mais marcantes da história política brasileira.
Além disso, mostra como objetos aparentemente comuns podem adquirir enorme valor histórico quando ficam diretamente ligados a momentos que mudaram o rumo de um país.
O que restou do pijama de Getúlio Vargas
Hoje, portanto, o que permanece preservado é principalmente o paletó do pijama usado por Getúlio Vargas em seus últimos momentos.
A peça integra o acervo do Museu da República e recebe cuidados de conservação. Enquanto isso, a calça teve outro destino e foi enterrada com o presidente.
Dessa forma, o pijama que Vargas vestia na manhã de 24 de agosto de 1954 atravessou décadas e se transformou em uma das peças mais emblemáticas do acervo relacionado ao ex-presidente.
Mais do que uma roupa, o objeto representa um fragmento material de uma história que ainda desperta interesse, debates e pesquisas sobre a política brasileira do século 20.