CALOR INTENSO: Super El Niño pode causar 13,3 mil mortes no Brasil até o ano que vem

Estudo da Universidade de Chicago aponta Norte e Nordeste como áreas mais afetadas pelo calor extremo. Em RO, a sensação térmica média chega a 43°C

CALOR INTENSO: Super El Niño pode causar 13,3 mil mortes no Brasil até o ano que vem

Foto: Ocampo Fernandes

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O calor extremo associado ao Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes adicionais no Brasil até fevereiro de 2027, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago divulgado nesta quarta-feira (23). O país aparece entre os cinco mais afetados no mundo e lidera a projeção de mortalidade na América Latina. 
 
O calor intenso predomina em Rondônia, com temperaturas máximas frequentemente acima dos 35°C em diferentes regiões do estado. Nos municípios do interior mais aquecidos, os termômetros podem se aproximar dos 38°C a 40°C, enquanto em Porto Velho a sensação térmica chegou a 43°C, ampliando o risco de desidratação e outros efeitos provocados pela exposição prolongada às altas temperaturas.
 
A estimativa considera o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, quando os efeitos do fenômeno devem ser mais intensos. No Brasil, o verão, entre dezembro e fevereiro, concentra a maior parte das mortes projetadas. O relatório estima 2,3 mil mortes no Pará, 1,3 mil no Maranhão e 1,2 mil em Amazonas e Bahia. 
 
Em todo o mundo, o estudo projeta 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no período. Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia aparecem à frente do Brasil nas estimativas globais. 
 
Calor extremo deve aumentar
 
Os pesquisadores projetam que as temperaturas globais fiquem cerca de 1,2°C acima do normal e que os dias de calor extremo aumentem aproximadamente 44% em relação a um ano normal. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, começou em 2026 e pode se prolongar até o início de 2027. 
 
A projeção foi calculada a partir da relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo, considerando diferenças climáticas, vulnerabilidade das populações e capacidade de adaptação de cada local. Segundo a Folha, a estimativa brasileira tem margem de aproximadamente 700 mortes para mais ou para menos. 
 
Os pesquisadores ressaltam que as mortes estimadas são aquelas associadas diretamente ao calor e não incluem eventuais óbitos decorrentes de secas, incêndios ou enchentes relacionados ao fenômeno. 
 
Prevenção pode reduzir impactos
 
O relatório recomenda a adoção antecipada de sistemas de alerta para ondas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação e proteção de idosos, trabalhadores expostos e outras populações vulneráveis.
 
Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático, afirmou que a projeção permite identificar antecipadamente as regiões onde medidas emergenciais podem ser adotadas para reduzir a mortalidade. 
 
O estudo também alerta que o episódio pode funcionar como uma espécie de “amostra” das condições de calor que tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas, reforçando a necessidade de preparação permanente e não apenas de respostas emergenciais.
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