A nova análise considera toda a Bacia Amazônica e combina dados científicos com conhecimentos ecológicos tradicionais
Foto: Reprodução Instagram
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A Bacia Amazônica abriga mais de 2.700 espécies de peixes de água doce, aproximadamente uma em cada sete espécies conhecidas no planeta, segundo o relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, divulgado pela The Nature Conservancy (TNC) e parceiros.
O estudo considera a região o sistema de água doce com maior biodiversidade do mundo e alerta que a oportunidade para preservar esse patrimônio natural pode estar se fechando rapidamente.
A quarta edição da série Peixes Esquecidos reúne contribuições de mais de 50 pesquisadores e especialistas de 30 organizações.
Diferentemente de estudos anteriores, a nova análise considera toda a Bacia Amazônica e combina dados científicos com conhecimentos ecológicos tradicionais de povos indígenas e comunidades locais.
O levantamento mostra que os peixes têm importância que vai muito além da biodiversidade.
Eles são fundamentais para a segurança alimentar, a geração de renda, as economias locais e a identidade cultural de milhões de pessoas que vivem na região amazônica.
A conservação dos rios, portanto, está diretamente relacionada à sobrevivência de comunidades e à manutenção de atividades econômicas.
Entre os principais fatores de pressão estão a construção de hidrelétricas, o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva e as mudanças climáticas.
Esses impactos podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, alterar os ciclos naturais de vazão e comprometer a qualidade da água.
O relatório chama atenção especialmente para a necessidade de preservar a conectividade dos rios.
Para as espécies migratórias, a possibilidade de deslocamento entre diferentes áreas da bacia é essencial para alimentação e reprodução.
A fragmentação dos cursos d'água pode provocar efeitos em cadeia sobre os ecossistemas e sobre as populações que dependem dos recursos pesqueiros.
Outro destaque do estudo é o papel dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na conservação. Segundo os autores, áreas sob liderança e governança indígena estão entre os trechos mais preservados e biodiversos da Bacia Amazônica.
O conhecimento acumulado ao longo de gerações também contribui para compreender os ciclos dos rios e dos peixes.
A coordenadora-geral da COICA e autora do relatório, Fany Kuiru Castro, destaca que os peixes possuem significado que ultrapassa a condição de recurso natural.
Para os povos indígenas, eles estão ligados à identidade, aos sistemas alimentares, às histórias e à relação cultural com os rios.
O estudo defende uma estratégia de conservação que combine ciência, políticas públicas, proteção territorial e participação das comunidades.
Para a TNC, governos, investidores, pesquisadores e povos indígenas precisam atuar de forma coordenada para manter a bacia conectada e resiliente.
O alerta ganha relevância diante da intensificação das mudanças climáticas e dos eventos extremos que atingem a região.
A avaliação sustenta que a Amazônia ainda oferece uma oportunidade rara: conservar um dos maiores sistemas de água doce do planeta antes que alterações irreversíveis ocorram em larga escala.
A mensagem central do relatório é direta: conservar os peixes significa também proteger os rios, a biodiversidade, a economia e as populações que dependem da Bacia Amazônica.
Quanto mais tarde forem adotadas medidas integradas de proteção, maior poderá ser o custo ambiental, social e econômico para a região.
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