POÇO DE GÁS: Petróleo avança na Amazônia, mas RO segue sem exploração na Bacia dos Parecis

A gigantesca fonte de gás natural está numa área extensa em Mato Grosso e Rondônia

POÇO DE GÁS: Petróleo avança na Amazônia, mas RO segue sem exploração na Bacia dos Parecis

Foto: Reprodução

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Apesar do avanço das pesquisas e da ampliação do interesse pela exploração de petróleo em áreas da Amazônia, Rondônia continua sem um projeto efetivamente contratado para a produção de óleo e gás. A porção rondoniense da Bacia dos Parecis ofertada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, realizado em 17 de junho de 2025, não recebeu propostas. Enquanto isso, o único bloco terrestre arrematado em toda a bacia ficou no lado de Mato Grosso.

 

A Bacia dos Parecis foi dividida pela ANP em dois setores para o leilão: o SPRC-O, correspondente à área localizada em Rondônia, e o SPRC-L, situado em Mato Grosso. O setor rondoniense ficou sem compradores, enquanto o bloco PRC-T-121, localizado no setor mato-grossense, foi arrematado pela empresa Dillianz Petróleo e Gás Biocombustíveis S.A. A ANP confirma que este foi o único bloco terrestre arrematado na Bacia dos Parecis durante o 5º Ciclo.

O resultado evidencia uma diferença importante dentro de uma mesma fronteira exploratória. A Bacia dos Parecis, considerada uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás no Brasil, passou a integrar o leilão como a única bacia terrestre ofertada naquele ciclo. Ao todo, o 5º Ciclo resultou na arrematação de 34 blocos em diferentes bacias brasileiras, mas apenas um deles estava localizado em terra, justamente o PRC-T-121, no lado de Mato Grosso.

 

Territórios indígenas e reservas ambientais

 

No caso de Rondônia, a ausência de propostas mantém a exploração petrolífera apenas no campo das pesquisas e do potencial geológico. A área da Bacia dos Parecis em território rondoniense se estende pelo Cone Sul e avança em direção à Região Central do estado, integrando uma extensa área que vem sendo objeto de estudos geológicos há décadas.

 

 

Entre os fatores que ajudam a explicar a falta de investidores estão os riscos associados ao licenciamento ambiental e à judicialização. Organizações socioambientais questionaram a inclusão de áreas da região no processo de oferta, apontando preocupações relacionadas à proximidade e à sobreposição com áreas ambientalmente protegidas e territórios indígenas. Para empresas que precisam mobilizar grandes volumes de capital em uma fase ainda marcada por incertezas geológicas, a possibilidade de atrasos ou paralisações judiciais representa um fator adicional de risco.

 

Outro obstáculo é a própria condição da Bacia dos Parecis como fronteira exploratória. Diferentemente de regiões brasileiras com produção consolidada, a bacia possui um histórico reduzido de perfuração e informações geológicas ainda insuficientes para eliminar as dúvidas sobre a existência de reservas comercialmente viáveis. A decisão de investir exige, portanto, disposição para assumir riscos elevados antes mesmo da confirmação de uma descoberta economicamente aproveitável.

 

Investimento alto no Mato Grosso

 

No lado mato-grossense, a Dillianz assumiu o bloco PRC-T-121 após o processo de qualificação e homologação conduzido pela ANP. O bloco possui área de 2.804,537 quilômetros quadrados e está classificado como área terrestre de fronteira exploratória. O edital do 5º Ciclo estabeleceu para o bloco um programa exploratório mínimo de R$ 10,7 milhões, demonstrando que a etapa atual ainda é de investigação geológica e não de produção de petróleo.

A própria ANP deixa claro que a arrematação de um bloco não significa descoberta ou produção imediata. O contrato garante à empresa o direito de realizar a fase exploratória, que envolve estudos, levantamentos geofísicos e, eventualmente, perfuração de poços para verificar se há petróleo ou gás em quantidade economicamente viável.

 

 

Ninguém se interessou por Rondônia

 

Para Rondônia, o cenário permanece inalterado: existe potencial geológico e uma extensa área incluída na estratégia nacional de exploração, mas nenhum bloco da porção estadual da Bacia dos Parecis foi arrematado no leilão de 2025. Isso significa que, apesar do avanço do debate sobre novas fronteiras petrolíferas na Amazônia e do movimento de empresas em direção a outras regiões da bacia, Rondônia ainda não entrou, de fato, na etapa de exploração contratada.

 

O resultado também revela que o futuro da atividade petrolífera no estado dependerá não apenas da existência de potencial geológico. A redução das incertezas ambientais e jurídicas, a obtenção de dados mais robustos sobre o subsolo e a viabilidade logística serão determinantes para que futuras ofertas despertem interesse empresarial.

 

Por enquanto, o mapa da exploração na Bacia dos Parecis tem um contraste claro: Mato Grosso conseguiu atrair o único investimento exploratório contratado na região, enquanto Rondônia permaneceu sem propostas.

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