A inclusão de Rondônia representa uma das principais novidades do estudo
Foto: Embrapa/Acervo pesquisador
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Um estudo da Embrapa Amazônia Oriental que analisou 121 mil hectares de áreas cultivadas com cacau no Pará e em Rondônia indica que a maior parte das áreas alteradas utilizadas pela atividade agrícola já havia sido desflorestada antes de 2020.
Em Rondônia, onde o levantamento foi realizado pela primeira vez, 98% das áreas identificadas com cultivo de cacau haviam sido desflorestadas antes desse período, segundo bases de monitoramento ambiental utilizadas na pesquisa.
Os resultados serão apresentados nesta quarta-feira (26), durante a ExpoCacau 2026, em Ilhéus (BA).
A iniciativa combina sensoriamento remoto, imagens de radar, inteligência computacional e auditorias realizadas diretamente em campo para mapear a produção e verificar as características ambientais das áreas utilizadas pelo cultivo.
De acordo com o pesquisador Adriano Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), autor principal do trabalho, a pesquisa parte da premissa de que a cacauicultura desempenha papel estratégico na Amazônia contemporânea, pois, “além de gerar renda para milhares de famílias rurais, tem a capacidade de recuperar solos alterados e devolver a produtividade a paisagens antes ocupadas por pastagens degradadas”.
O levantamento também atualizou os dados referentes ao Pará, onde 96% das áreas alteradas com cultivo de cacau já haviam sido desflorestadas antes de 2020.
Rondônia é destaque no primeiro levantamento
A inclusão de Rondônia representa uma das principais novidades do estudo. Diferentemente do Pará, que teve os dados atualizados, o estado passa agora pelo primeiro levantamento sistemático utilizando essa metodologia.
O percentual de 98% de áreas desflorestadas antes de 2020 indica, segundo os parâmetros adotados na pesquisa, que a produção de cacau está majoritariamente instalada em áreas que já haviam sido alteradas anteriormente, em vez de avançar sobre novas áreas de floresta.
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O dado ganha importância em Rondônia, estado que possui uma extensa área inserida na Amazônia Legal e que enfrenta o desafio de conciliar expansão das atividades agropecuárias com redução do desmatamento.
Na prática, a identificação das áreas já abertas pode ajudar a diferenciar a produção agrícola consolidada de eventuais processos de abertura recente de floresta.
Tecnologia amplia capacidade de fiscalização
O estudo utiliza diferentes tecnologias para localizar e caracterizar as áreas produtoras.
O sensoriamento remoto permite analisar grandes extensões territoriais, enquanto imagens de radar podem contribuir para o monitoramento mesmo em condições de cobertura de nuvens.
A inteligência computacional auxilia no processamento das informações, e a auditoria em campo funciona como mecanismo de verificação dos resultados obtidos remotamente.
Essa combinação é especialmente relevante para a Amazônia, onde a extensão territorial e as dificuldades de acesso tornam o monitoramento exclusivamente presencial caro e demorado.
Em Rondônia, a metodologia pode fornecer uma nova base para compreender onde está concentrada a produção de cacau e qual é o histórico ambiental das áreas utilizadas pelos produtores.
Cacau pode crescer sem pressionar a floresta
O resultado abre espaço para uma discussão estratégica sobre o futuro da cacauicultura na Amazônia.
Se novas áreas de produção forem implantadas prioritariamente em áreas já abertas, degradadas ou anteriormente convertidas, o crescimento da cadeia pode ocorrer sem necessariamente representar aumento da pressão sobre a floresta nativa.
Esse modelo também pode favorecer a recuperação produtiva de áreas que atualmente apresentam baixa produtividade.
Para Rondônia, a estratégia pode ser particularmente relevante.
O estado possui condições para ampliar sua participação na cadeia do cacau, mas precisa evitar que o crescimento da atividade seja associado à abertura de novas áreas de floresta.
A diferença entre expansão agrícola e expansão do desmatamento passa, nesse caso, pelo planejamento territorial.
Monitoramento pode fortalecer mercado sustentável
A rastreabilidade ambiental também pode se tornar uma vantagem comercial.
Mercados nacionais e internacionais estão aumentando as exigências relacionadas à origem dos produtos agrícolas.
Ter informações precisas sobre quando e onde uma área foi desmatada pode ajudar produtores e empresas a demonstrar conformidade ambiental.
Os números apresentados pelo levantamento — 96% no Pará e 98% em Rondônia de áreas desflorestadas antes de 2020 — fornecem justamente esse tipo de informação territorial.
Para o produtor, isso pode significar maior capacidade de comprovar a origem da produção.
Para compradores e órgãos de controle, cria uma ferramenta adicional para identificar situações que precisam de investigação.
Rondônia diante de uma nova oportunidade
O primeiro mapeamento da cacauicultura no estado chega em um momento em que Rondônia busca diversificar sua produção agropecuária e ampliar atividades capazes de gerar valor agregado.
O cacau possui potencial para integrar sistemas agroflorestais, recuperar áreas anteriormente alteradas e criar alternativas de renda para produtores rurais.
Mas o crescimento da cadeia dependerá de produtividade, assistência técnica, infraestrutura, acesso a mercado e, principalmente, segurança ambiental.
O estudo não significa que toda produção de cacau em Rondônia esteja automaticamente regularizada.
O percentual apresentado descreve o histórico de desflorestamento das áreas analisadas e não substitui análises individuais de licenciamento, regularidade fundiária ou cumprimento de outras normas ambientais.
A informação mais relevante, portanto, é outra: existe espaço para ampliar a produção em áreas que já foram abertas, reduzindo o incentivo econômico para a conversão de novas áreas de floresta.
Os resultados completos do levantamento serão apresentados na ExpoCacau 2026, em Ilhéus, nesta quarta-feira (26), colocando Rondônia pela primeira vez no mapa detalhado da produção de cacau analisada pela iniciativa.
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