PATRIMÔNIO: Acordo entre União e concessionária restaura Casarão dos Ingleses

Obra executada pela mesma construtora que restaurou o Complexo da EFMM inicia manutenção estrutural após Justiça Federal extinguir processo de desapropriação e confirmar posse pública de prédio histórico

PATRIMÔNIO: Acordo entre União e concessionária restaura Casarão dos Ingleses

Foto: Divulgação

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A restauração do Casarão dos Ingleses, localizado na Estrada de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), começou a ser executada pela construtora VaLLor BR. O imóvel, pertencente à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), está sendo reformado pela AXIA Energia UHE Santo Antônio. A obra faz parte de um acordo firmado entre a empresa e a SPU, e as frentes de serviço estimam concluir a recuperação estrutural em dezembro de 2026.
 
Os trabalhos civis no sobrado histórico avançam após o encerramento definitivo de um litígio judicial de desapropriação que tramitava desde 2013 na 5ª Vara Federal de Rondônia. O juiz federal substituto Shamyl Cipriano extinguiu a ação sem resolução do mérito por falta de interesse processual, após confirmar que o imóvel é um bem público de propriedade exclusiva da União, registrado sob a Matrícula 1.060 do 1º Ofício de Registro de Imóveis. A decisão judicial inviabilizou a desapropriação pela concessionária, o que permitiu o entendimento administrativo direto que resultou na reforma atual.
 
Histórico 
 
 
O Casarão dos Ingleses é um sobrado de dois pavimentos erguido na Estrada de Santo Antônio entre os anos de 1877 e 1879, durante o ciclo da borracha na Amazônia. A principal teoria histórica sobre a construção aponta que os engenheiros norte-americanos Phillip e Thomas Collins, da construtora P. & T. Collins, ergueram o imóvel. O local serviu de residência para as famílias dos profissionais e funcionou como escritório de apoio administrativo para a segunda tentativa de implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM).
 
 
Uma segunda vertente histórica atribui a propriedade original do casarão ao empresário boliviano Suarez Calhaú, acionista da EFMM conhecido como o "rei da borracha". O empresário teria importado materiais de construção europeus para erguer o edifício de dois andares como uma pousada corporativa destinada a receber seus clientes. Após a desvalorização do látex, o imóvel abrigou o Iate Clube de Porto Velho na década de 1970 e serviu como escritório administrativo da usina hidrelétrica de Santo Antônio entre 2009 e 2022, antes de ser devolvido à União e exposto ao abandono.
 
A disputa pela propriedade do prédio histórico também envolveu contestações judiciais de ocupantes privados contrários ao domínio federal. Em recurso de apelação apresentado em outubro de 2022, o réu E.I.R argumentou que detinha a posse do casarão em caráter imemorial e autônomo perante o patrimônio da ferrovia. A apelação sustentou formalmente em suas razões que o Casarão de Santo Antônio "foi edificado entre os anos de 1877 e 1879, quando ainda não existia a estrada de ferro" e constituía "uma obra custeada pelo governo boliviano".
 
 
Entrevista
 
 
Em entrevista ao Rondoniaovivo nesta sexta-feira (28), o presidente da Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (ASFEMM), George Telles Menezes, comentou sobre as negociações que destravaram as obras e relembrou o período de abandono do local. 
De acordo com Menezes, "após o despacho da ação judicial favorável à União, houve um acordo entre a União e a Santo Antônio Energia para a revitalização do prédio", confirmando que "o processo foi julgado e arquivado em favor da União, a União é legítima dona da área".
 
O dirigente relatou que a saída do consórcio hidrelétrico deixou o prédio vulnerável, apontando que "quando foi concluída a obra da [Santo Antônio Energia], eles deixaram o Casarão dos Ingleses... Aí ficou abandonado" e que "roubaram muitas coisas lá de dentro... louças, essas coisas todas". À época, Rondoniaovivo noticiou os saques. 
O presidente da ASFEMM explicou que o trabalho de recuperação civil segue as especificações de um "projeto feito pela [Santo Antônio Energia]", visando à reabilitação das linhas arquitetônicas originais. A liderança ferroviária enfatizou a necessidade de respeito aos padrões originais de edificação, ressaltando que "todos os patrimônios do Brasil têm que seguir suas linhas originárias em suas restaurações".
Direito ao esquecimento
Guincho Sul - 29/08/2026 19:41
a matéria diz que quando veio para posse da União caiu no descaso e no abandono
Guincho Sul - 29/08/2026 19:41
pense num órgão inútil é essa SPU
Elizeu Sampaio - 29/08/2026 15:48
Finalmente um destino digno para esta construção. Agora precisam ver o que vai ser daqui pra frente. Agora pra vocês verem, desde 2013, 13 anos para a justiça decidir.
Lc Pereira - 29/08/2026 09:08
Parabéns pela matéria!!

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