MEMÓRIA: Rosinaldo Machado, o fotógrafo que transformou a história de Rondônia em imagens

Aniversariante desta sexta-feira, 28 de agosto, o repórter fotográfico construiu um dos mais importantes acervos visuais sobre a formação e a transformação de Rondônia

MEMÓRIA: Rosinaldo Machado, o fotógrafo que transformou a história de Rondônia em imagens

Foto: Reprodução

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Há histórias que podem ser contadas por palavras. Outras precisam ser vistas. A história de Rondônia tem, entre seus grandes narradores, um homem que passou mais de cinco décadas atrás de uma câmera para registrar personagens, acontecimentos, paisagens e transformações que ajudaram a construir o estado: o repórter fotográfico Rosinaldo Machado.
 
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, Machado comemora mais um aniversário. A data é uma oportunidade para celebrar não apenas a vida de um profissional reconhecido nacionalmente, mas também a trajetória de um fotógrafo que ajudou a preservar, em imagens, a memória de Rondônia.
 
Seu trabalho se confunde com um dos períodos mais importantes da história rondoniense. Em abril de 1979, Machado chegou a Porto Velho acompanhando o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, então nomeado governador do Território Federal de Rondônia. A partir daquele momento, suas lentes passaram a acompanhar de perto a transformação do antigo território em estado.
 
Machado esteve presente em momentos decisivos da criação e instalação de Rondônia. Fotografou autoridades, cerimônias, obras, instituições que começavam a ser estruturadas, a ocupação de novas áreas, a abertura de estradas, a chegada de migrantes, garimpos, vilas e comunidades que posteriormente se transformariam em municípios.
 
Mas seu trabalho nunca se limitou aos acontecimentos oficiais. Suas lentes também percorreram os rios, florestas, comunidades ribeirinhas, fauna e flora de Rondônia. Ao longo de décadas, construiu um acervo estimado em mais de 120 mil registros fotográficos, transformando a fotografia em instrumento de documentação histórica, cultural e ambiental da Amazônia.
 
 
O reconhecimento mais recente de sua trajetória veio em 2026, quando uma de suas imagens foi selecionada para integrar a mostra nacional “Artes Visuais e Anos 1980 no Brasil”, projeto publicado pela revista Fullgás, realizado pelo Banco do Brasil e financiado pelo Ministério da Cultura.
 
A fotografia, catalogada como “Solenidade de criação do Estado de Rondônia”, registra um dos momentos fundamentais da história política rondoniense. Na imagem aparecem Jorge Teixeira de Oliveira, o então ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel, representando o presidente João Figueiredo, o ex-ministro do Interior Mário David Andreazza e Renê Pompeu de Pina, então superintendente da Sudeco.
 
Machado foi o único repórter fotográfico da Região Norte selecionado para a mostra. Para ele, a escolha da fotografia representa um dos maiores reconhecimentos recebidos em mais de 50 anos dedicados ao fotojornalismo.
 
A fotografia é mais do que o registro de uma solenidade. É um fragmento de tempo. É a imagem de um momento em que Rondônia deixava de ser território e passava a ocupar um novo lugar na federação brasileira. E Machado estava ali, com sua câmera, para transformar aquele instante em memória permanente.
 
O fotógrafo de uma geração
 
Conhecido no meio jornalístico simplesmente como “Machado”, Rosinaldo construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras do fotojornalismo cotidiano. Seu olhar acompanhou a formação de instituições públicas, o crescimento de Porto Velho e a interiorização do desenvolvimento rondoniense.
 
Foi também o primeiro fotógrafo do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, instituição que o homenageou, em 2023, com a Medalha dos 40 anos do TCE e do Ministério Público de Contas. Na ocasião, Machado relembrou pessoas e acontecimentos ligados à criação da Corte e falou sobre a emoção de testemunhar o crescimento de instituições que ajudou a registrar desde os primeiros passos.
 
Em 2020, recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadão Honorário de Porto Velho, reconhecimento à contribuição de seu trabalho para a preservação da memória da cidade e do estado.
 
Também foi premiado em concursos e mostras de fotografia. Entre seus trabalhos reconhecidos está a fotografia “O Pantanal Rondoniense”, vencedora na categoria Meio Ambiente do Prêmio Sinjor, em 2009. Na oportunidade, Machado destacou justamente o papel dos fotógrafos que, por meio de suas imagens, ajudaram a documentar a história de Rondônia.
 
O olhar sobre uma Rondônia que mudou
 
Talvez a maior importância de Rosinaldo Machado esteja justamente naquilo que suas fotografias permitem hoje: comparar a Rondônia de ontem com a Rondônia de hoje.
 
Em seus negativos e arquivos digitais estão cidades ainda pequenas, estradas em processo de abertura, comunidades que cresceram, personagens que já desapareceram, autoridades que fizeram parte da formação política do estado e trabalhadores anônimos que participaram da construção de Rondônia.
 
Há também a Rondônia dos rios e das florestas, das comunidades ribeirinhas, dos animais, das paisagens e das mudanças provocadas pela ação humana. Machado continuou fotografando essa realidade mesmo depois de se aposentar, mantendo sua ligação com a fotografia e com a preservação da memória amazônica.
 
Por isso, falar de Rosinaldo Machado é falar também de um imenso arquivo visual de Rondônia. Seu acervo não pertence apenas ao fotógrafo. Ele representa uma parte significativa da memória coletiva de um estado que, diante de suas lentes, deixou de ser apenas território e passou a construir sua própria identidade.
 
Um aniversário para celebrar a memória
 
Aos completar mais um ano de vida, neste 28 de agosto, Rosinaldo Machado recebe não apenas os cumprimentos de amigos, colegas e admiradores. Recebe também o reconhecimento de uma terra que ele fotografou durante décadas.
 
Machado foi testemunha de uma Rondônia que poucos conhecem pelos livros, mas que suas fotografias permitem reencontrar.
 
Cada imagem é uma página. Cada negativo, um pedaço de tempo. Cada fotografia, uma testemunha silenciosa de acontecimentos que não voltam.
 
E talvez seja esse o maior legado de um repórter fotográfico: estar diante da história no instante em que ela acontece e deixar para as próximas gerações a possibilidade de vê-la novamente.
 
Feliz aniversário, Rosinaldo Machado.
 
Que suas lentes  tantas vezes voltadas para registrar a história dos outros  também encontrem, neste dia, um instante para registrar a sua própria história.
 
 
 Seu amigo há mais de quatro décadas – Adaides Batista- o Dadá
Direito ao esquecimento

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