A falta de combustível de aviação provocou um colapso no transporte aéreo do departamento de Beni, na Bolívia, região que faz fronteira com Rondônia.
Entre 250 e 300 aeronaves de pequeno porte estão impedidas de operar desde a última quinta-feira (24), após a interrupção do fornecimento de gasolina de aviação (Av-Gas) na cidade de Trinidad.
A paralisação compromete a ligação entre cidades isoladas, o abastecimento de fazendas e o deslocamento de agricultores, pecuaristas e moradores, justamente durante as festividades dos padroeiros Santa Ana e Santo Inácio de Moxos.
Segundo o presidente da Associação de Pilotos do Departamento de Beni, Francisco Arias, a distribuição do combustível foi interrompida sem qualquer explicação oficial das autoridades bolivianas.
Ele afirmou que, desde então, a maior parte dos voos da aviação regional foi suspensa, afetando diretamente a mobilidade em uma das áreas mais dependentes do transporte aéreo no país.
"Desde quinta-feira não há combustível, nem voos, e este departamento depende de nós para o abastecimento dos ranchos e cidades", declarou Arias. Conforme informações repassadas ao setor, a expectativa é de que o abastecimento seja retomado apenas na quarta-feira.
O dirigente questionou a falta do combustível, ressaltando que a gasolina de aviação utilizada no país é produzida internamente na planta de Vallehermoso, em Cochabamba, e não depende de importações.
"Não sabemos qual é o problema, porque esse combustível não é importado. É produzido em Vallehermoso, em Cochabamba, e ninguém nos explicou o motivo da interrupção no abastecimento", afirmou ao El Deber.
Beni concentra entre 60% e 65% de toda a pequena aviação boliviana.
De acordo com Arias, o departamento possui cerca de 250 a 270 aeronaves distribuídas em municípios como Trinidad, Santa Ana, Guayaramerín, Riberalta, San Borja, Reyes, Santa Rosa e San Ramón.
Cada aeronave consome, em média, 80 litros de Av-Gas por hora de voo.
Normalmente, o abastecimento ocorre com a chegada de um caminhão-tanque transportando entre 20 mil e 30 mil litros a cada seis ou oito dias.
No entanto, segundo os pilotos, esse volume já era insuficiente para atender à demanda, que anteriormente era suprida por dois ou três caminhões no mesmo período.
A crise ocorre em um momento de intensa movimentação na região devido às festividades religiosas de Santa Ana e Santo Inácio de Moxos, quando cresce o fluxo de moradores para propriedades rurais e comunidades do interior.
Com estradas em condições precárias, o transporte aéreo representa o principal meio de acesso a diversas localidades.
A paralisação também pode gerar impactos indiretos para a região de fronteira com Rondônia, especialmente nas cidades bolivianas de Guayaramerín e Riberalta, que mantêm forte integração econômica e logística com os municípios brasileiros de Guajará-Mirim e Nova Mamoré.
Até o momento, o governo boliviano não divulgou as causas da interrupção do fornecimento de combustível de aviação.
Enquanto aguardam a normalização do abastecimento, pilotos, produtores rurais, passageiros e comunidades isoladas permanecem sem um serviço considerado essencial para a conectividade da Amazônia boliviana.