DRÁCULA: Descoberta de caixões corroídos e corpos mumificados gerou personagem gótico

Os corpos depositados nos cofres de St. Michan não se decompuseram da forma tradicional

DRÁCULA: Descoberta de caixões corroídos e corpos mumificados gerou personagem gótico

Foto: Divulgação

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Nas profundezas da Igreja de St. Michan, em Dublin, repousa o pó dos séculos e o eco dos suspiros. Esta cripta, escondida atrás de muros de pedra e silêncio, abriga os restos de algumas das famílias mais poderosas da Irlanda dos séculos XVII e XVIII. Mas não são apenas as linhagens que a tornam inesquecível, mas sua atmosfera.
 
Entre caixões ornamentados, madeiras corroídas pelo tempo e corpos mumificados que ainda conservam a pele, um jovem Bram Stoker — nascido a poucas ruas de lá, no bairro de Clontarf — desceu uma vez as escadas de pedra.
 
O que ele viu nunca seria apagado
 
Os dedos mumificados que se destacam dos caixões abertos, a quietude assustadora da morte sem decomposição, a penumbra que abraça a eternidade; tudo ficou gravado na sua imaginação. Anos mais tarde, o mundo conheceria sua obra mais famosa: Drácula (1897). E muitos historiadores e entusiastas acreditam que foi aqui, entre estes caixões reais e esta cripta viva da morte, onde o medo encontrou forma, e a ficção encontrou raízes.
 
O segredo sob as tábuas do chão
 
Para quem caminha pela Church Street, no lado norte do Rio Liffey, a Igreja de St. Michan pode parecer apenas mais uma das muitas estruturas medievais de Dublin. Fundada originalmente em 1095 por vikings, a estrutura atual data principalmente de uma reconstrução de 1686. Mas a verdadeira riqueza — e o verdadeiro espanto — da igreja não está em seu altar de carvalho ou em seu histórico órgão (onde se diz que Handel ensaiou o Messias), mas sim no subsolo.
 
Ao descer a estreita e íngreme escadaria de pedra que leva às criptas, a temperatura cai abruptamente. O ar, surpreendentemente, não tem o cheiro de mofo ou putrefação que se esperaria de um cemitério subterrâneo. É seco, quase estéril.
 
Graças a uma combinação única de fatores ambientais — paredes de pedra calcária que absorvem a umidade, o subsolo composto por turfa seca e o ar purificado que circula por pequenos canais de ventilação —, os corpos depositados nos cofres de St. Michan não se decompuseram da forma tradicional. Eles passaram por um processo de mumificação natural.
Direito ao esquecimento

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