Uma cidade esquecida pelo tempo foi redescoberta em plena floresta amazônica. Arqueólogos localizaram as ruínas de Lamego, um antigo assentamento português do século XVIII que ficou escondido por mais de 200 anos sob a densa vegetação de Rondônia, próximo à fronteira com a Bolívia.
Utilizando a tecnologia LiDAR — que mapeia o solo por meio de pulsos a laser lançados de aeronaves — os cientistas revelaram a planta urbana completa da cidade: ruas bem organizadas, canais de drenagem, bases de pedra e até os traços de um antigo forte militar. Lamego teria sido construída como parte da estratégia portuguesa para proteger o território amazônico e garantir o escoamento do ouro pelo rio Guaporé. O local ainda contava com oficinas, casas coloniais e uma vila secundária chamada Bragança.
Mapas históricos e relatos de moradores quilombolas ajudaram a confirmar a posição exata da cidade, que por séculos esteve desaparecida. Essa redescoberta reforça a importância da arqueologia moderna aliada ao conhecimento tradicional — e ao mesmo tempo acende um alerta: o sítio histórico está situado no coração do arco do desmatamento, uma das regiões mais ameaçadas da floresta, onde queimadas e ocupações ilegais colocam em risco esse patrimônio arqueológico.
A cidade de Lamego é mais uma peça de um quebra-cabeça que mostra como a Amazônia não era um vazio, mas um espaço habitado, organizado e estratégico, muito antes da chegada das frentes modernas de colonização.