Ribeirinhos que vivem há mais de 25 anos nas comunidades Aliança - a 48 quilômetros de Porto Velho (RO) - e Itapuã, localizada a margem esquerda do rio Madeira à cerca de 30 minutos de barco de Aliança, estão sofrendo com a falta de água e a forte estiagem que atravessa a região amazônica, pois os poços com 40 metros de profundidade estão secos há mais de dois meses e não existe maneira de superar essa dificuldade. A comunidade aguarda ajuda da gestão municipal para dar assistência a localidade.
Para o ribeirinho Alemão, que há mais de 17 anos mora na localidade, nunca viu o rio Madeira tão seco como nesta época do ano. Os moradores das comunidades ribeirinhas realizam trabalho conjunto para tentar abastecer toda as localidades e todos os dias são retirados do rio Madeira mais de 100 litros de água para as mais de 150 famílias que ali residem. Os moradores da margem esquerda do rio Madeira, de Itapuã, andam mais de três quilômetros nas praias do “Madeirão” para retirar conseguir a água.
Sem muito entender as questões climáticas, os ribeirinhos temem pelo pior nos próximos anos e culpam as construções das usinas do rio Madeira como um das principais causadoras do que eles definem como “degradação ambiental do velho ‘Madeira’”, pois para eles esta é uma das piores secas que eles estão passando e o temor agora são com as possíveis cheias, na época do inverno da região Norte do Brasil. “Ninguém explicada nada sobre a questão ambiental e nem falam sobre as melhorias que o povo ribeirinho do rio Madeira pode ganhar”, desabafou Alemão.
SECA E MEIO DE SOBREVIVÊNCIA
De acordo com informações da Delegacia Fluvial de Porto Velho, o rio Madeira no mês de Setembro de 2009 estava medindo 4,80 (quatro metros e oitenta centímetros) de profundidade, neste mês de setembro o rio está medindo 2,58 (dois metros e cinqüenta e oito centímetros) e previsões para chuvas constantes só no final deste mês.
Muitos vivem da caça, da pesca, da agricultura e da pecuária, sendo que esta última está passando por momentos difíceis nas comunidades que vivem as margens do rio Madeira, pois a falta de água vem deixando os pastos secos, acarretando assim nas mortes de bezerros, vacas e bois das comunidades ribeirinhas de Porto Velho (RO). A região está com aspecto desértico e degradante, em alguns momentos a paisagem engana lembrando o sertão seco do Nordeste.
Muitos ribeirinhos estão pescando no rio Jamari, buscando alternativas de sobrevivência sustentáveis. As comunidades exigem que as autoridades políticas busquem projetos viáveis de melhorias para o povo do rio, pois no decorrer do tempo a disseminação parece iminente para essas comunidades.