O petismo não gostou da minha mais recente colaboração sobre a malfadada PEC, apresentada pelo deputado federal Eduardo Valverde (PT), propondo o fim do Regime Jurídico Único.
O petista Edison Silveira foi o primeiro a comentar o assunto, no RONDONIAOVIVO. Em vez de, pelo menos, tentar explicar os motivos que teriam levado seu companheiro de partido a embarcar nessa canoa furada, Silveira preferiu enaltecer eventuais qualidades de Valverde, chegando, inclusive, à sandice de sugerir tratar-se de um “bom candidato”, para concorrer ao palácio Getúlio Vargas, no próximo pleito eleitoral.
Silveira foi secretário de obras do prefeito Roberto Sobrinho. Sua passagem pela SEMOB foi marcada por críticas e insinuações cabeludas, como, por exemplo, a construção do prédio onde funciona a secretaria. Fala-se que Silveira pertence ao grupo da senadora Fátima Cleide, o que lhe teria garantido a indicação para o cargo.
O PT é um partido fragmentado. Há a turma da Cleide, do Valverde e do Sobrinho, do Pedro, do João e do escambau. Em público, o petismo tenta passar a imagem de um partido coeso, mas, à surdina, a realidade é completamente diferente. O petismo só é unido nas críticas e ofensas a adversários e desafetos políticos e na hora de passar a mão na cabeça de companheiros enrolados. Observe-se o caso dos mensaleiros.
Acorda gente! Essa história de partido ético, comprometido com as minorias e as causas sociais, é coisa do passado, que só convence os néscios, que derramam, no vaso sanitário, seus resquícios de vergonha na cara, ou, então, os que têm, no lugar dos milhos, aquilo que as moscas adoram.
O negócio, hoje, são mensalão, dólares na cueca, sinecurismo, nepotismo, contratação de empresas, sem licitação, dentre outras práticas condenáveis. Na busca tresloucada para manter acesa a idéia de seu projeto de poder, o petismo é capaz de qualquer sacrifício, inclusive de beijar as mãos de políticos fisiológicos, como Jader Barbalho, e de aliar-se a raposas felpudas da política nacional, como José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.
Parte dos trezentos picaretas que o sindicalista Lula afirmou haver no Congresso, no passado, hoje, são aliados do PT, compactuam “dos seus ideais de justiça” e dos rega-bofes palacianos. Há pouco, Lula chegou a sair em defesa do presidente do Senado, José Sarney, envolvido até a medula num cipoal de denúncias escabrosas, capaz de fazer o Diabo se benzer.
O petismo se preocupa com o meu salário, resultado de vinte e cinco anos de serviço efetivo, mediante aprovação em concurso público, mas não move um palito de fósforo riscado para melhorar as condições salariais e de trabalho de milhares de servidores municipais, que vivem andando na corda bamba.
No fundo, o petismo gostaria, mesmo, de manter-me sob a sua tutela, de pires na mão, implorando-lhe uma migalha, à semelhança do que acontece com muitas parasitas da carótida social que o cerca. À falta de instrumentos que contribuam para a discussão de temas municipais, como saúde, educação, transporte coletivo, saneamento básico, infra-estrutura, dentre outros assuntos, o petismo envereda pelo caminho das elucubrações e do caricaturismo mais vulgar.
A PEC do deputado Eduardo Valverde é uma excrescência, uma aberração legislativa, uma afronta aos servidores públicos. Por isso, precisa ser rechaçada, in totum, sem piedade, nem comiseração.