A pesquisa investiga justamente como a fé se relaciona com valores, escolhas políticas, práticas cotidianas e pertencimentos comunitários
Foto: Reprodução
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Pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest aponta que 80% dos brasileiros são contrários à discussão de política dentro de espaços religiosos, enquanto 90% rejeitam a presença de candidatos em igrejas para fins eleitorais.
Os dados fazem parte do levantamento Religião e Vida Pública no Brasil, divulgado em setembro de 2026, e mostram uma distância entre a influência pública da religião e a aceitação da atividade político-eleitoral dentro dos templos.
O estudo ouviu presencialmente 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 412 municípios de todas as regiões do país, incluindo as 27 capitais e o Distrito Federal.
O trabalho de campo ocorreu entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro, com margem de erro de 0,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%, segundo o Iser.
Rejeição atravessa diferentes grupos religiosos
A resistência à mistura entre política institucional e espaço de culto aparece em diferentes segmentos religiosos.
Segundo os resultados divulgados, os índices de rejeição à discussão política e à presença de candidatos permanecem numericamente semelhantes entre católicos, evangélicos e seguidores de outras religiões.
O levantamento, portanto, não indica que os brasileiros desejem afastar a religião da vida pública.
A pesquisa investiga justamente como a fé se relaciona com valores, escolhas políticas, práticas cotidianas e pertencimentos comunitários.
O que os números evidenciam é uma diferença entre participação religiosa na sociedade e uso do espaço de culto para atividades eleitorais.
Influência de líderes continua existindo
Apesar da rejeição majoritária à política nos templos, a pesquisa também identificou que lideranças religiosas tiveram influência sobre parte do eleitorado na eleição presidencial de 2022.
Segundo os dados divulgados, 11% dos entrevistados afirmaram ter recebido orientação de líderes religiosos para votar em Jair Bolsonaro, enquanto 5% disseram ter recebido indicação de voto em Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre evangélicos protestantes, o percentual que relatou orientação para Bolsonaro chegou a 20%; entre pentecostais, a 23%.
Há diferenças ainda maiores conforme a denominação.
Entre entrevistados da Igreja Universal, por exemplo, 27% relataram recomendação de voto em Bolsonaro e 12% em Lula.
O levantamento também apontou que 26% dos fiéis da Universal concordavam que o pastor indicasse em quem votar.
Os números mostram, assim, que a rejeição à transformação dos templos em espaços de campanha eleitoral convive com a existência de mecanismos de influência política exercidos por algumas lideranças religiosas.
Fé e participação pública
A pesquisa também reforça que a relação entre religião e política no Brasil não pode ser reduzida à presença de candidatos nos cultos.
O próprio Iser destaca que o levantamento procura compreender como diferentes experiências religiosas influenciam valores, visões de mundo, pertencimentos comunitários e escolhas políticas.
Nesse contexto, a discussão sobre a presença da religião na esfera pública permanece aberta.
Igrejas e outras comunidades religiosas podem participar do debate social e apresentar posições sobre questões éticas e políticas.
Outra questão, diferente, é transformar o espaço destinado ao culto em ambiente de campanha ou utilizar a autoridade religiosa para direcionar o voto.
Os dados do Iser e da Quaest apontam que, para a maioria dos entrevistados, essa fronteira é relevante: a religião continua tendo presença na vida pública, mas a utilização dos templos para discussão político-eleitoral encontra forte resistência entre os próprios frequentadores.
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