THE HANDMAID'S TALE - O CONTO DA AIA: Série brutal mostra o conservadorismo ao extremo – Por Marcos Souza

A produção era exibida no streaming Hulu (Fox e atual Disney +) e continua no catálogo da Paramount Plus

THE HANDMAID'S TALE - O CONTO DA AIA:   Série brutal mostra o conservadorismo ao extremo – Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.

Já está disponível no catálogo do serviço de streaming da Netflix todas as seis temporadas da série “The Handmaid's Tale - O conto da Aia”, que, infelizmente, sucumbiu na receita de continuar depois da terceira temporada, entrando num loop (repetição) de tramas que tomou decisões absurdas nas duas temporadas finais, entrando para o rol de séries que não souberam concluir sua história  - como “Game of Thrones”, “Lost”, “Dexter” e “The Boys”, só para citar algumas.

 

A produção era exibida no streaming Hulu (Fox e atual Disney +) e continua no catálogo da Paramount Plus.

 

Vou me ater aqui as impressões e notas que eu tomei quando assisti a primeira temporada – que tem 10 episódios redondinhos -, pra mim a melhor de todas e postula essa série entre as melhores já produzidas. Um contexto corajoso, polêmico e muito bruto onde vamos ver a sangue e ferro o que um conservadorismo extremo, onde se coloca cristandade, militarismo, família e poder num patamar num nível absurdo.

 

Demorei algum tempo até tomar coragem para assistir de fato como deveria, com a devida atenção.

 

A sensação ao terminar a primeira temporada foi de socar o bastão elétrico da Tia Lydia na venta dela; esfregar a cara da senhora Serena Waterford no asfalto quente ou dar uma surra de cinta no Comandante Fred Wateford; explodir o Centro Vermelho com as "tias" amarradas, metralhar os guardiões (a milícia bárbara que é responsável pela ordem e segurança) lascar o ferro nas guardas das Colônias.

 

A série é realista e leva ao pé da letra o que eu chamo de "imersão total" na ficção. Impossível para mim ficar passível na distopia absurda que é retratada com as mulheres assumindo um papel submisso de vergonha - principalmente para as Aias - e de menosprezo as esposas ou aquelas que possuem uma profissão.

 

Resumo básico, para ter uma ideia na teia complexa que a série apresenta, mas que é tão bem feita e contada de forma direta ou com flashback dos principais personagens, que tudo fica claro e estabelecido desde o início:

 

A narrativa de The Handmaid's Tale se passa na República de Gileade, um governo dito cristão militar que é formado nas fronteiras do que anteriormente eram os Estados Unidos da América.

 

Para se ter uma ideia, a América sofre um ataque terrorista que mata o presidente e a maioria do Congresso dos Estados Unidos - incluindo a destruição do Capitólio e da Casa Branca, quando é aplicado um golpe militar e um movimento fundamentalista de reconstrução cristã autointitulado "Filhos de Jacó" suspende a Constituição dos Estados Unidos sob o pretexto de "restaurar a ordem".

 

 

Com isso os líderes desse movimento tiram os direitos das mulheres, em grande parte atribuídos a registros financeiros armazenados eletronicamente - suspendem suas contas bancárias, se apropriam do dinheiro -, não podem mais trabalhar e devem viver a procriar - através das Aias, mulheres férteis e que devem se submeter a uma cerimônia de estupro no seio familiar onde as esposas não podem engravidar.

 

O novo regime, institui um modelo totalitário, militarizado e hierárquico de fanatismo religioso e social inspirado no Antigo Testamento da Bíblia, que é bem dividido em suas castas sociais recém-criadas. Nesta sociedade, os direitos humanos são severamente limitados e os direitos das mulheres são ainda mais restritos, elas não podem mais ler e nem escrever. Os homossexuais são perseguidos e mortos - lésbicas são condicionadas a se transformar em Aias, criadas com desígnios de Marthas ou vão morrer nas Colônias - cavando lixo radioativo.

 

Aias são mulheres que são doutrinadas a servir como parideiras de famílias tradicionais. Elas se vestem com uma túnica vermelha pesada e usam uma touca com viseira branca.

 

 Nesse mundo, a taxa de natalidade é extremamente baixa - de cada 100 mulheres grávidas só três conseguem completar a gestação e parir. Então as Aias são mulheres comprovadamente férteis e que em algum momento da vida tiveram filhos saudáveis. Elas são escolhidas e treinadas por uma guarda de mulheres conservadoras e severas denominadas "Tias". A pior de todas é a Tia Lydia (excepcional atuação da atriz Ann Dowd).

 

Cada Aia é obrigada a ficar dois anos na casa de uma família onde o casal não consegue ter filhos e nesse período ela tem que engravidar do dono da casa sobre os olhares da esposa dele, que deve aceitar isso como uma dádiva D'ele (Deus) cuidando para que a Aia seja bem preservada no período de gravidez, onde depois da criança nascer a dona da casa a toma para si e a família como a mãe "verdadeira" e a Aia deve ser encaminhada a outra casa com novos patrões e repetir o mesmo processo.

 

Isso mesmo, nessa distopia as mulheres são submissas ao extremo. Incluindo uma das mulheres de um comandante, Serena, que ajudou a criar as normas desse governo conservador ditatorial junto com o seu marido, que integra o comando dos "Filhos de Jacó".

 

Se você quer ver o que é distorcer passagens da Bíblia em favor da violência e da repressão assista a série. É algo surreal e que é possível enxergar a postura fascista.

 

Para ter uma ideia do que é a violência em seu extremo, as Aias são preparadas a serem o objeto principal da chamada "Cerimônia" para o coito de reprodução. O que isso quer dizer?

 

A mente do governo que prima a reprodução e nascimento de crianças, torna legal e até sacro o estupro contra mulheres. No caso das Aias, uma vez por mês, no período fértil, elas são obrigadas a fazer a "Cerimônia" que consiste num ato religioso passado no quarto de núpcias do casal proprietário da residência onde ela vai servir, em que a mulher fica na cabeceira da cama, a Aia deita de costa, com a cabeça no colo da sua senhora, enquanto tem os braços seguros. O homem, marido da senhora no caso, entra no quarto, pega uma Bíblia, ora e cita alguns versículos, em seguida se aproxima da cama onde a Aia o deve aguardar com as pernas abertas enquanto ele a penetra até ejacular. Na cabeceira da cama a sua esposa segura a Aia com força e fica satisfeita ao ver o marido completar a "cerimônia". A Aia é estuprada todo mês até engravidar.

 

A série mostra com detalhes como funciona esse novo governo sem constituição, onde a força militar é extremamente importante e as pessoas vivem com medo. Os privilégios são divididos em castas que são separadas por tipos de roupa e cor.

 

A casta privilegia os homens que integram a cúpula do novo governo, chamados de comandantes.

 

Quais são as castas?

 

São os Anjos e Guardiões (milicianos) - se vestem de preto e azul marinho; os comandantes - usam ternos escuros; suas esposas se vestem com vestidos azuis; as Aias - de vermelho e toucas brancas com abas; as Marthas - são as empregadas domésticas, cozinheiras ou babás, se vestem de cinza; as Tias - são as doutrinadoras e mantenedoras do Centro Vermelho, onde as Aias são treinadas e mantidas quando não são entregues as casas dos comandantes para engravidarem.

 

Eu sei que são informações demais para uma série, mas não cheguei nem no principal. A história da série acompanha a Aia Offred (a atriz Elisabeth Moss, muito bem por sinal, depois passou a ser uma das produtoras e dirigiu alguns episódios da terceira temporada) que perdeu o marido, teve a sua filha tomada e que enfrenta o diabo na casa dos Waterford, principalmente nas mãos de sua senhora, Serena.

 

Um detalhe: todas as Aias não podem usar o seu nome próprio uma vez na casa que vai servir. Ela são obrigadas a usar o termo "Of", no caso seria Of+Fred = Offred (ou seja: "Do Fred"), ou Of+Glenn = Ofglenn (Do Glenn). Ridículo, mas é dessa forma que funciona nessa distopia.

 

A série é fantástica. Tudo bem feito, cada episódio tem revelações surpreendentes, vai mostrando a vida de Offred - que se chama June - antes do golpe do Estado, como tudo era antes e depois se transformou. Não só ela, outros personagens ganham destaques ao longo das temporadas detalhando os fatos que levaram a chegar nesse ponto.

 

É um futuro onde tudo é controlado, com a sanha machista inspirada em ritos bíblicos e que dominam a nova ordem.

 

Alguns episódios são violentos e cruéis. Tem episódios chocantes e que me deixaram perplexo pelas cenas, algumas muito fortes. A do enforcamento das Aias é assustador.

 

O pior é você assistir e crer que num futuro próximo vai ter país vivendo esse tipo de situação absurda e revoltante. Se já não tem, como as mulheres de burca e em que algumas culturas a família obriga meninas pré-adolescentes a tirar o clítoris cirurgicamente.

 

Assistam, a série mexe com política social, desordem religiosa e militar e a hipocrisia familiar cristã. Baseado na obra da escritora canadense Margaret Atwood é atualíssima.

Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site