Há alguns filmes de qualidade que foram exibidos este ano fora do país e devem estrear só no ano que vem nos nossos cinemas
Foto: Divulgação
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O cinema em 2025 apresentou um saldo bastante positivo em comparação com 2024, pela qualidade dos filmes que estiveram em exibição nas salas. Produções esmeradas, tramas originais em gêneros que, comumente, apresentam muitos clichês, como no terror, que este ano foi fora do normal, tanto que, na minha lista deste ano, entram três filmes entre os cinco que escolhi como os melhores.
Esta é uma lista pessoal de avaliação crítica que fiz com base no que assisti este ano e julguei quanto à qualidade do roteiro, direção criativa, temas, excelência técnica e narrativa condizente com a proposta do filme.
Como toda lista, ela é passível de crítica ou de descontentamento, mas não tem problema. Lista, geralmente, é pessoal.
Há alguns filmes de qualidade que foram exibidos este ano fora do país e devem estrear só no ano que vem nos nossos cinemas. Muitos críticos já assistiram e colocaram em suas listas. Então, baseei-me no que assisti e tive oportunidade.
Vamos lá, boa leitura.
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Talvez o melhor filme já exibido nos cinemas este ano, o mais recente trabalho do produtor, roteirista e diretor Paul Thomas Anderson – responsável por obras-primas como “Boogie Nights” e “Magnólia”, por exemplo. “Uma Batalha Após a Outra” é um filme de ação e drama, baseado no livro de Thomas Pynchon, que relata a história de Bob (vivido muito bem por Leonardo DiCaprio), um ex-revolucionário que vive recluso, forçado a reviver seu passado radical quando seu antigo oponente, que chegou a ter um envolvimento sexual com sua namorada – que é negra –, o racista e perigoso coronel Lockjaw (numa interpretação brilhante de Sean Penn), sequestra sua filha adolescente, Willa (com a ótima Chase Infiniti). Ele se obriga a reunir antigos companheiros de seu grupo para uma missão desesperada de resgate em um cenário distópico americano de autoritarismo e vigilância.
O filme é notável por misturar, de forma muito bem-feita, ação, comédia e crítica social. Nos tempos atuais, traz uma mensagem forte e quase explícita sobre liberdade, memória e resistência. São quase três horas de filme que passam rapidinho. Um digno filmaço. Está disponível no catálogo da HBO Max.

O cinema do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho é diferenciado, muito bem-feito na amálgama da realidade histórica com o imaginário e, principalmente, nas relações interpessoais dentro do universo popular. Em “O Agente Secreto”, após ter realizado o ótimo “Bacurau”, ele faz um filme único e escrito para o ator Wagner Moura, que está espetacular. Não à toa, o filme vem tendo enorme visibilidade e repercussão internacional, além de um arrastão de prêmios.
Indicado ao Globo de Ouro de Filme Estrangeiro e Ator, “O Agente Secreto” é um thriller político brasileiro que se passa no ano de 1977, quando Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário em fuga de São Paulo, encontra refúgio, de forma clandestina, em Recife, e descobre que, mesmo pensando ter se escondido, sua figura está sob vigilância e envolvida em uma trama perigosa que explora a paranoia da então ditadura militar, apontando a memória e a resistência.
Na tentativa de escapar desse infame passado, o professor vai se deparar com uma Recife envolta em lendas urbanas, assim como personagens inesperados e humanos, que vão lhe dar acolhida, enquanto busca documentos que permitam fugir do país e se exilar. O filme mantém um suspense contínuo pelo medo de ter sua identidade e paradeiro descobertos pelos órgãos fiscalizadores. Um dos mais belos e grandes filmes deste ano. Tanto o diretor Kleber Mendonça Filho quanto o ator Wagner Moura foram premiados em Cannes. Por enquanto, ainda está em cartaz nos cinemas.
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“Pecadores” (Sinners) estreou nas salas de cinema como um furacão dentro de um gênero que, para mim, hoje é muito limitado: o terror, com clichês e/ou revisitações de temas já batidos. Porém, o que o diretor e roteirista Ryan Coogler fez aqui é um absoluto desvio de rota no gênero, com um filme de terror gótico sulista que mistura gangsterismo, racismo e misticismo. Uma história absolutamente original, revisitando com propriedade o tema do vampirismo.
Ambientado no Mississippi, no auge da segregação racial de 1932, dois irmãos gêmeos (Michael B. Jordan, excepcional em papel duplo) retornam para abrir um clube de blues diferenciado – com atenção especial para a comunidade negra da região –, mas são assombrados por uma força sobrenatural maligna, envolvente e cruel, que se manifesta como vampiros, simbolizando a opressão racial e a luta por resistência, com uma clara referência à cultura e identidade.
Em uma sequência musical de blues, o diretor se permite e encanta o público com referências a todos os gêneros musicais negros que se tornaram pilares da cultura norte-americana – praticamente um canto crítico de enorme beleza e apoteótico. O final traz uma cena pós-créditos genial. Violento, sangrento, pungente e inesperado, “Pecadores” já é um clássico. Deve ser um dos fortes candidatos ao Oscar de 2026. Disponível no catálogo da HBO Max.
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Este filme está escondido no catálogo da HBO Max e vale muito a pena assistir. É, para mim, disparado, o filme mais agonizante e perturbador da temporada. Um dos filmes que marcaram o gênero terror com uma proposta inédita.
“Faça Ela Voltar” (Make Her Come Back) é um filme de terror psicológico sobre luto e perda, com uma trama envolvente que vai sendo apresentada em pílulas ao espectador. Os irmãos Andy e Piper, após a morte do pai, são encaminhados pelo Conselho Tutelar para um lar adotivo com uma excêntrica assistente social, Laura, que também vive o luto pela filha, morta afogada na piscina da casa.
No entanto, uma vez na casa, coisas estranhas são percebidas por Andy, o irmão mais velho de Piper. As ações de Laura, que tem um comportamento autoritário, mas ao mesmo tempo libertário – dentro dos limites que ela mesma se impõe –, mantêm um filho adotivo com ela, o garoto Oliver, que é estranho, pois não fala e é introspectivo. Em determinado momento, vamos descobrir que o garoto está sendo utilizado pela assistente em um ritual sinistro, assistido em uma fita VHS, cujo resultado seria a possibilidade de reviver a filha morta.
Durante esse processo, assistimos à crescente transformação dentro daquela casa, com situações desesperadoras, manipulação de sentimentos e controle possessivo, com impacto brutal sobre os irmãos. Nos vinte minutos finais, o filme é uma apoteose de horror, violência, brutalidade e estranhezas, com mortes inesperadas. O filme foi escrito e dirigido pelos irmãos Michael e Danny Philippou, que se destacaram em 2023 com o ótimo “Fale Comigo”. Insisto: é um filme com proposta inovadora e não aconselhável para corações fracos. Filmaço!

Quando foi lançado o trailer, o filme já chamava atenção por sua proposta de mostrar crianças que, em uma hora exata da madrugada, somem de suas casas correndo pelas ruas da cidade, deixando um mistério a ser explorado. Quando lançado nos cinemas, este foi um dos filmes de terror mais cultuados e admirados do ano.
“A Hora do Mal” (Weapons) é um suspense claustrofóbico, com terror acentuado de forma milimetricamente bem-feita pela direção exemplar de Zach Cregger – o mesmo do ótimo “Noites Brutais”, de 2022. O filme abre com um grande mistério ao mostrar, de forma inexplicável, como 17 crianças de uma mesma turma escolar somem simultaneamente às 2h17 da manhã.
Como o evento ocorre em uma pequena cidade, a professora Justina Gandy (a ótima Julia Garner) acaba sendo suspeita, logo descartada pela polícia, mas não para o pai de uma dessas crianças, Archer Graff (Josh Brolin, também produtor do filme), que insiste em investigá-la como responsável. Surge então o grande achado do filme: os diferentes pontos de vista apresentados pelos personagens em relação às consequências desse misterioso desaparecimento.
O destaque principal é quando acompanhamos o ponto de vista da única criança da sala que não sumiu, o pequeno Alex (Cary Christopher, muito bom), e somos apresentados à sua tia Gladys (Amy Madigan, espetacular), uma idosa misteriosa de comportamento estranho, que muda dramaticamente a vida do garoto e de seus pais. Não deixe que contem mais do que isso, caso ainda não tenha assistido. Trata-se de um filme surpreendente pela forma como é apresentado, com uma resolução de mistério intricada e impactante. Prima por um humor quase involuntário, mas traz cenas brutais. Outro grande filme. Disponível também no catálogo da HBO Max.
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