VÍCIO EM APOSTAS: Bets retiraram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em apenas dois anos

O levantamento mostra que os gastos mensais com apostas cresceram de R$ 4 bilhões no início de 2023 para R$ 29 bilhões no fim de 2025

VÍCIO EM APOSTAS: Bets retiraram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em apenas dois anos

Foto: Agência Senado

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O avanço das apostas esportivas online está provocando impactos que vão além do orçamento das famílias e já afeta diretamente a economia brasileira.

Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entre 2023 e 2025, R$ 143,8 bilhões deixaram de circular no comércio, valor equivalente ao faturamento obtido pelo varejo nas duas últimas temporadas de Natal.

Na prática, o dinheiro que poderia estar sendo gasto em supermercados, lojas, restaurantes, serviços e outros setores da economia acabou direcionado às plataformas de apostas, muitas delas com operações e controladores sediados no exterior.

Com isso, recursos que poderiam movimentar empresas brasileiras, gerar empregos e ampliar a arrecadação de impostos deixam de circular na economia nacional.

O levantamento mostra que os gastos mensais com apostas cresceram de R$ 4 bilhões no início de 2023 para R$ 29 bilhões no fim de 2025, refletindo a rápida expansão desse mercado.

A CNC aponta que o maior impacto ocorre entre famílias com renda de até cinco salários mínimos, grupo que apresenta maior comprometimento da renda e maior risco de endividamento.

O estudo estima que 269 mil famílias passaram a enfrentar dificuldades para pagar suas contas em razão dos gastos com apostas, fenômeno que também começou a atingir consumidores de renda mais elevada.

Para a entidade, o crescimento das bets deixou de ser apenas uma mudança de comportamento do consumidor e passou a representar um fator econômico relevante, reduzindo o consumo de bens e serviços, enfraquecendo o comércio e comprometendo a geração de renda e empregos em diversos setores da economia brasileira.

 

Realidade local

Em Rondônia, o avanço das apostas também tem mobilizado autoridades.

O Ministério Público do Estado (MPRO) instaurou procedimentos para investigar a atuação das plataformas de apostas e seus impactos sobre consumidores, especialmente em casos envolvendo publicidade considerada abusiva, endividamento e possível estímulo ao jogo compulsivo.

No campo jurídico, decisões recentes reforçam a possibilidade de responsabilização das empresas de apostas.

Tribunais brasileiros já começaram a reconhecer o direito à restituição de valores em casos envolvendo apostadores diagnosticados com transtorno do jogo patológico, entendimento que pode abrir espaço para novas ações judiciais também em Rondônia.

Além da fiscalização das plataformas, são necessárias campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos do vício em apostas, ampliação do atendimento em saúde mental e mecanismos mais rígidos de controle da publicidade.

O objetivo é evitar que recursos destinados ao consumo, ao comércio e ao sustento das famílias continuem sendo desviados para um mercado que, em grande parte, transfere seus lucros para empresas sediadas no exterior. 

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