A onda de calor que atingiu vários estados brasileiros na última semana acendeu um alerta para um problema ainda pouco conhecido: o estresse térmico. A condição ocorre quando o corpo é submetido a altas temperaturas e não consegue se resfriar, perdendo a capacidade de manter a faixa ideal de 36,5°C a 37°C. Diferente da insolação e do golpe de calor geralmente ligados à exposição direta ao sol o estresse térmico pode acontecer mesmo em ambientes fechados e abafados.
Especialistas explicam que, diante do calor intenso, o organismo aumenta a transpiração para dissipar a temperatura. Sem reposição adequada de água e sais minerais, há risco de tontura, fraqueza, queda de pressão, exaustão e desidratação. Em casos graves, podem ocorrer confusão mental, convulsões, falência de órgãos e até morte. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis. O coração é um dos órgãos mais afetados, com maior risco de arritmias e sobrecarga.
Para avaliar o risco, pesquisadores utilizam um índice bioclimático, que combina temperatura, umidade, vento e radiação. O indicador mostra que o fenômeno vem se intensificando nas grandes cidades. Estudo do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ estima que cerca de 38 milhões de brasileiros já vivem expostos ao estresse térmico, e os períodos críticos aumentam ano a ano.
A recomendação é simples: hidratar-se com frequência, preferir ambientes ventilados, usar roupas leves, evitar atividades ao ar livre nos horários mais quentes e priorizar alimentação leve. Além do corpo, o calor excessivo também afeta o emocional, elevando irritabilidade, ansiedade e cansaço. Técnicas de respiração, sono adequado e apoio social ajudam a reduzir os impactos. Em caso de sintomas intensos, a orientação é buscar atendimento médico imediato.