Astrônomos registraram, pela primeira vez de forma direta, uma ejeção de massa coronal (EMC) partindo de uma estrela fora do Sistema Solar um avanço que pode redefinir o entendimento sobre a habitabilidade de outros mundos. O fenômeno, semelhante às explosões solares, ocorreu com intensidade muito superior à do nosso Sol, a ponto de, segundo os pesquisadores, poder arrancar por completo a atmosfera de um planeta próximo.
As EMCs acontecem quando uma estrela lança ao espaço enormes volumes de plasma e campos magnéticos. Na Terra, eventos assim costumam gerar auroras e, em casos extremos, interferir em satélites e redes elétricas. A explosão agora detectada, porém, chamou atenção pela escala inédita.
A observação foi possível graças à combinação de dados do telescópio espacial XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia, com medições do radiotelescópio LOFAR. O cruzamento das informações revelou não apenas a presença da EMC, mas sua velocidade: cerca de 2.400 km/s muito acima do observado nas ejeções solares mais rápidas.
O evento teve origem em uma anã vermelha, estrelas menores e mais frias que o Sol, porém com campos magnéticos até 300 vezes mais fortes e propensas a explosões violentas. Como esse tipo de astro é o mais comum da Via Láctea e abriga boa parte dos exoplanetas conhecidos a descoberta levanta um alerta. Mesmo planetas situados na chamada “zona habitável” podem perder suas atmosferas ao longo do tempo, comprometendo qualquer chance de vida.
Para os cientistas, o estudo inaugura uma nova fase nas análises de habitabilidade: além de temperatura e distância da estrela, a resistência das atmosferas a eventos extremos de clima espacial torna-se um critério decisivo.