*Cerca de dez trabalhadores da Fazenda Paloma, localizada no final da Estrada Transacreana, viviam em regime de semi-escravidão. Foi o que apuraram fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que emitiram aproximadamente 13 autos de infração ao proprietário, que estava no local.
*"E a somatória das multas administrativas deve dar algo em torno de R$ 100 mil", estipula o auditor fiscal Manoel Neto. Segundo ele, o único ponto que descaracterizava o regime de escravidão dos empregados em questão é que eles tinham o direito de ir e vir.
*No mais, tudo se encontrava em desacordo com as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). "Eles foram descobertos em situação analógica ao trabalho escravo, o chamado trabalho degradante", explica Neto. "Não tinham registro em carteira, não tinham copo individual, equipamento de proteção, água potável nem alojamento".
*Nessa fazenda, segundo Neto, existem 24 trabalhadores, sendo que pelo menos dez viviam na situação descrita anteriormente. De acordo com o auditor fiscal, na hora em que a equipe chegou ao local encontrou-os "com a mão na massa", na broca do campo, sem equipamento de proteção algum.
*Segundo Neto, o proprietário foi um dos poucos que não dificultou o trabalho deles nem fugiu, como muitos fazem.
*"Ele irá responder do ponto-de-vista judicial federal. Ainda não sabemos dizer em qual competência, se do Ministério Público ou do Trabalho, mas já encaminhamos o processo para os dois", informa o fiscal, já adiantando que ainda esta semana uma equipe da DRT irá apurar mais uma denúncia de trabalhadores vivendo em regime semelhante numa fazenda próxima a Rio Branco.