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Rondoniaovivo apresenta nesta quinta-feira (8) um resgate histórico sobre a trajetória da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), empreendimento ferroviário construído no início do século 20 que originou a fundação de Porto Velho.
Tratado de Petrópolis e o escoamento da borracha
A construção da ferrovia decorreu do Tratado de Petrópolis, celebrado entre o Brasil e a Bolívia em 17 de novembro de 1903. O acordo diplomático estabeleceu a obrigação brasileira de construir uma linha de transporte para contornar o trecho encachoeirado dos Rios Madeira e Mamoré, viabilizando o trânsito de mercadorias bolivianas até o Oceano Atlântico. O artigo 7º do tratado fixou a meta de implantar “uma ferrovia desde o porto de Santo Antônio, no Rio Madeira, até Guajará-Mirim, no Mamoré”.
A instalação da ferrovia e o nascimento de Porto Velho
O empresário norte-americano Percival Farquhar assumiu a concessão da ferrovia por meio da Madeira-Mamoré Railway Company, iniciando a execução das obras em 1907. O cenário econômico internacional justificava o investimento, pois “as 40 mil toneladas de borracha exportadas pela Amazônia representavam 90% da produção mundial”. Diante das dificuldades geográficas da antiga vila de Santo Antônio, os engenheiros transferiram o marco inicial das instalações para sete quilômetros rio abaixo, ponto onde os galpões, oficinas e alojamentos estruturaram a povoação de Porto Velho a partir de 1908.
Força de trabalho e divisão do espaço urbano
A abertura dos 366 quilômetros de trilhos reuniu trabalhadores de mais de 50 nacionalidades, que enfrentaram surtos de doenças tropicais como malária e pneumonia durante as frentes de trabalho. A organização do território gerou duas realidades urbanas distintas, separadas pela antiga Avenida Divisória: o setor administrado diretamente pela empresa concessionária e a área ocupada pela população civil e comerciantes. Essa divisão impulsionou a criação formal do município de Porto Velho em 2 de outubro de 1914, com a nomeação de Fernando Guapindaia de Souza Brejense como superintendente inicial.
Estatização, encerramento das operações e tombamento
A concorrência da borracha asiática a partir da década de 1910 e a recessão mundial de 1929 reduziram a viabilidade comercial do transporte ferroviário. Em 10 de julho de 1931, o governo federal decretou a intervenção na concessionária e nomeou Aluizio Pinheiro Ferreira para dirigir a ferrovia. As atividades da linha foram extintas por decreto em julho de 1972, momento em que as rodovias federais assumiram a ligação territorial da região. Posteriormente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o acervo e os prédios remanescentes como patrimônio cultural brasileiro.
O Complexo foi concedido à AmazonFort, por meio de parceria com a Prefeitura de Porto Velho. A concessionária elaborou uma reforma no espaço.
Museu da Comunicação preserva a memória no complexo
No pátio histórico revitalizado, o Museu da Comunicação do Rondoniaovivo realiza uma mostra pública com entrada gratuita no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A exposição apresenta parte de um acervo superior a 500 peças, reunindo itens como máquinas de escrever, câmeras fotográficas, televisores e um telégrafo fabricado em 1918. A programação conta com mediação do fundador Paulo Andreoli e atende visitantes de terça-feira a domingo, das 9h às 12h e das 16h às 20h, conectando a evolução das tecnologias de informação à preservação da memória ferroviária.