VILHENA: Cidade completou 115 anos com história iniciada em posto telegráfico de 1911

Jornalista e historiador Júlio Olivar resgata a origem da cidade, batizada em homenagem a um engenheiro que morreu sete anos antes da inauguração do posto que recebeu seu nome

VILHENA: Cidade completou 115 anos com história iniciada em posto telegráfico de 1911

Foto: Reprodução

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Vilhena completou 115 anos na segunda-feira (12 de outubro). A história do município começou com a inauguração do Posto Telegráfico Álvaro Vilhena, em 1911, durante os trabalhos da Comissão Rondon. O episódio, marcado por uma celebração que reuniu trabalhadores, militares e moradores da região, é considerado o marco inicial da localidade que se tornaria uma das principais cidades do sul de Rondônia.
 
A trajetória histórica foi resgatada pelo jornalista e historiador Júlio Olivar, autor de um texto que relembra os primeiros momentos da ocupação não indígena na região e as transformações ocorridas ao longo de mais de um século.
 
Segundo Olivar, a inauguração aconteceu na tarde de 12 de outubro de 1911, com música, danças e a participação de pessoas vindas de diferentes lugares, incluindo seringais e aldeias. O posto foi o primeiro da rede telegráfica instalado no território que hoje corresponde a Rondônia, na época pertencente ao estado de Mato Grosso.
 
O nome Vilhena foi escolhido pelo marechal Cândido Rondon em homenagem ao engenheiro maranhense Álvaro de Melo Coutinho de Vilhena, que havia dirigido a Repartição dos Telégrafos Nacionais. Ele morreu em 1904, aos 48 anos, vítima de câncer, sete anos antes da inauguração do posto que recebeu seu nome. Assim, nunca chegou a conhecer a cidade que seria batizada em sua homenagem.
 
A região, tradicionalmente habitada por povos indígenas, especialmente os Nambiquara, era conhecida por outras denominações antes da instalação do posto telegráfico. A partir dali, o nome Vilhena passou a identificar o local e permaneceu ao longo das mudanças administrativas que marcaram sua história.
 
Do posto telegráfico à emancipação
 
Nas décadas seguintes, Vilhena passou por diferentes mudanças administrativas. Em 1929, foi incorporada a Guajará-Mirim. Com a criação do Território Federal do Guaporé, em 1943, passou a integrar a área vinculada a Porto Velho.
 
A abertura da BR-29, atual BR-364, em 1960, impulsionou a migração e contribuiu para o surgimento de uma vila a cerca de cinco quilômetros do antigo posto telegráfico. Em 1969, a localidade foi elevada à condição de distrito de Porto Velho.
 
A emancipação política ocorreu em 1977, quando Vilhena passou a ser município. O antigo posto telegráfico, desativado em 1969, foi posteriormente revitalizado e transformado no Museu Casa de Rondon. Após um período fechado, o espaço voltou a receber visitantes em 2024, depois de passar por novas obras de recuperação.
 
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2015, o antigo posto é considerado um dos principais marcos históricos da cidade.
 
A história e o legado indígena
 
No artigo, Júlio Olivar também chama a atenção para os efeitos da expansão da rede telegráfica e da ocupação territorial sobre os povos indígenas. O historiador observa que, embora a região fosse tradicionalmente habitada por essas comunidades, o nome escolhido para identificar o posto e, posteriormente, a cidade homenageou uma personalidade de fora do território.
 
O texto aborda ainda as contradições e os impactos do avanço sobre a região, incluindo mortes entre integrantes das expedições e consequências do contato para as populações indígenas, como doenças, violência e mudanças nos modos de vida.
 
Ao completar 115 anos, Vilhena carrega uma história que começou com um posto telegráfico em meio à floresta e evoluiu até a formação de um município que se tornou referência econômica e urbana no sul de Rondônia.
 
Texto de referência histórica: Júlio Olivar, jornalista e historiador.
Direito ao esquecimento

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